Mais além do Minha Casa Minha Vida: ministro propõe crédito imobiliário para ampliAR acesso à moradia
O mercado de crédito imobiliário no Brasil já alcançou patamar relevante na economia, mas ainda opera abaixo do desempenho observado em outros países emergentes. Segundo dados citados durante o Abecip Summit 2026, o segmento representa 11% do Produto Interno Bruto (PIB), proporção considerada aquém de patamares internacionais.
O diagnóstico foi apresentado pelo ministro das Cidades, Vladimir Lima, em evento realizado nesta terça-feira (18). Para ele, o setor tem espaço para ampliar sua participação na economia e avançar para uma estrutura mais ampla de política habitacional.
Faixa 4 e resultados do Minha Casa, Minha Vida
Ao comentar os avanços do programa habitacional, Lima destacou a criação da Faixa 4 no âmbito do Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a fala do ministro, a iniciativa já beneficiou 58 mil famílias, com acesso a crédito imobiliário facilitado, somando mais de R$ 18 bilhões.
Apesar dos resultados, o ministro afirmou que o programa não deve ser tratado como o único motor do desenvolvimento do setor. Para ele, é necessário mirar mudanças que extrapolem a execução do Minha Casa, Minha Vida.
Potencial de crescimento e meta de participação no PIB
No evento da Abecip, Lima disse acreditar que o crédito imobiliário tem capacidade de crescer significativamente. A avaliação foi de que o setor pode praticamente dobrar, desde que haja um conjunto de medidas direcionadas.
Entre os pontos citados, o ministro mencionou a necessidade de modernização tecnológica e de aperfeiçoamentos na carteira de políticas públicas, defendendo que o planejamento não se restrinja ao programa habitacional atual.
Também foi apresentada uma meta para o futuro: Lima afirmou que 20% do PIB é o mínimo a ser buscado para o crédito imobiliário. Ele relacionou o caminho para esse objetivo a uma visão mais ampla de política habitacional, voltada ao país como um todo.
“Temos que pensar em modernização tecnológica, melhorar nossa carteira de políticas públicas e não pensar só no Minha Casa, Minha Vida”, disse o ministro. Na mesma linha, afirmou ser necessário olhar “para além do programa”, com uma política habitacional estruturante.
Ações do governo e mudanças no financiamento
O ministro das Cidades também citou o papel do Ministério das Cidades em frentes que podem influenciar a habitação, incluindo áreas de infraestrutura como saneamento, prevenção de riscos e obras de transporte público coletivo. Além dessas iniciativas, o órgão atua em medidas ligadas ao crédito para habitação.
Em 2025, Lima mencionou discussões conduzidas em conjunto com outras pastas sobre mudanças no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Na ocasião, a pauta incluía a possibilidade de liberação do depósito compulsório da poupança, com o objetivo de impulsionar o financiamento de moradias.
Como resultado das alterações mencionadas, o ministro afirmou que o crédito imobiliário avançou mais de 29% no primeiro semestre do ano em comparação com o exercício anterior.
Orçamento do FGTS e escalada do programa
Além do crédito, o ministro apontou mudanças associadas ao financiamento habitacional via FGTS. Conforme a apresentação feita no evento, o orçamento do FGTS para habitação subiu de R$ 90 bilhões em 2023 para R$ 195 bilhões em 2026.
O montante, segundo Lima, reúne recursos do fundo social do Pré-sal e do orçamento geral da União. Ele classificou esse volume como o “maior orçamento do programa Minha Casa, Minha Vida”.
O ministro também afirmou que o programa segue em trajetória de expansão. “Estamos em uma curva de ascensão de contratação no programa. Estamos batendo a meta todos os anos, repetidamente”, declarou durante o evento.
Cumprimento de metas e nova meta para moradias
Entre os números citados, Lima ressaltou que a meta inicial de 2 milhões de moradias com a criação da Faixa 4 foi cumprida com um ano e meio de antecedência. A partir desse estágio, o ministro apresentou a expectativa para o próximo ciclo de contratações.
A nova meta informada é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim deste ano.
No mesmo contexto, Lima defendeu a continuidade do diálogo com o setor produtivo, com o objetivo de identificar ajustes necessários e possibilitar a escalada das iniciativas.
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