BB BI Analisa o Desempenho do Setor Imobiliário em Junho: Panorama do Construção em Foco
Poupança registra resgates líquidos e segue pressionando financiamento imobiliário em 2026
O primeiro semestre de 2026 termina com a poupança apresentando resgates líquidos de R$ 30,6 bilhões, movimento que continua a pressionar uma das principais fontes históricas de recursos para o financiamento imobiliário no Brasil. Mesmo com esse cenário, o mercado de imóveis mostra sinais de resistência, sustentado por demanda por novas unidades e pela ampliação da participação do setor de construção nos empregos formais.
O desempenho de 2026 vem na sequência de um encerramento de 2025 já marcado por resgates líquidos elevados, que somaram R$ 63 bilhões no ano. No recorte de seis meses, a poupança voltou a registrar saídas líquidas expressivas, reforçando a necessidade de monitoramento sobre o fluxo de recursos direcionados ao crédito habitacional.
FGTS, Minha Casa Minha Vida e efeitos mais limitados no crédito habitacional
Embora os resgates da poupança indiquem pressão sobre o funding tradicional do setor, os efeitos gerais no mercado de financiamento habitacional têm sido menores do que o observado em outros momentos, em razão da absorção de parte relevante da demanda por programas habitacionais que utilizam o FGTS como fonte de recursos.
Dados da PNAD Contínua apontam desemprego de 5,6% no trimestre encerrado em maio, representando a menor taxa para o período. Com isso, a captação do FGTS permanece em patamares elevados, o que contribui para manter o acesso de famílias a programas habitacionais e sustenta a disponibilidade de recursos.
No campo das taxas, as informações de maio indicam taxas médias de 11,2% para operações de crédito imobiliário voltadas ao público pessoa física (PF). Quando o foco recai apenas sobre operações de funding bancário, a taxa média registrada sobe para 14,3%, cenário associado a um nível mais baixo de incentivo para financiamentos de longuíssimo prazo, características comuns ao setor imobiliário.
Demanda por novas unidades segue firme, com estoques em patamares reduzidos
Apesar da pressão sobre uma das fontes tradicionais de recursos, a demanda por novas unidades permanece elevada. Segundo dados da Abrainc, o segmento de médio e alto padrão — mais dependente de taxas de mercado — registra vendas anuais acumuladas em patamar constantemente superior ao volume de lançamentos na mesma janela desde dezembro de 2022.
Esse descompasso entre vendas e lançamentos vem reduzindo estoques de novas unidades. O indicador aponta estoques em mínimas observadas nos últimos cinco anos, sugerindo que a oferta tem sido menos rápida do que a procura nesse recorte.
No segmento econômico, enquadrado em programas habitacionais, o comportamento também é de demanda sustentada. Nesse caso, incorporadoras encontram maior previsibilidade para intensificar lançamentos, o que ajuda a concentrar parte relevante da atividade do setor ao longo do país.
Construção amplia participação nos empregos formais
O desempenho do setor também aparece no mercado de trabalho. De acordo com dados do CAGED, a construção foi responsável por quase 10% do total de empregos formais líquidos gerados no país nos últimos 12 meses, elevando sua representatividade dentro da economia formal.
Esse avanço dialoga com a manutenção do ritmo do setor, mesmo diante de desafios associados a custos e às condições de financiamento.
Custos seguem pressionando: INCC-M acima da inflação ao consumidor
Entre os fatores que afetam o setor, permanece a pressão exercida pelos custos de produção. Há referência à aceleração de preços de materiais de construção após choques no mercado internacional ligados ao petróleo, com reflexos em insumos relevantes da cadeia.
Somam-se a isso os custos de mão de obra, que contribuem para manter o acumulado anual do INCC-M em patamares acima da inflação ao consumidor medida pelo IPCA desde julho de 2024. O quadro reforça a necessidade de acompanhamento tanto do lado de custos quanto do lado de oferta e demanda por moradias.
Destaques do mês
Dados de Confiança
A confiança da construção (ICST) recua em junho. O movimento ocorre em linha com outros indicadores do mesmo estudo.
Indicadores de Atividade
Conjunto de indicadores da Sondagem da Indústria da Construção apresenta melhora na leitura recente, tanto no nível de atividade quanto na expectativa para os próximos meses.
Fontes de Recursos e Novas Contratações
A poupança registra saques líquidos de R$ 1,4 bilhão em junho e interrompe uma sequência de dois meses com captação positiva.
Crédito e Emprego
O setor de construção segue ampliando sua representatividade na economia formal. Ao mesmo tempo, as taxas médias de juros para crédito imobiliário ainda não mostram reflexos do corte recente na Selic.
Índice de Preços
O INCC-M desacelera para 6,71% nos últimos 12 meses, ante 6,82% na leitura anterior. A tendência é descrita como mista entre mão de obra e materiais.
Dados de Mercado – Construção Civil
O índice setorial Imobiliário da B3 (IMOB) avança 1,8% em junho, encerrando um período de três meses consecutivos em campo negativo. No mesmo intervalo, o IMOB supera a performance do Ibovespa, que recua 1,0% no período.
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