BC reduz Selic pela 4ª vez consecutiva e fixa taxa em 14% ao ano; comunicado traz novos detalhes

whatsapp_image_2026-08-07_at_13.39_36-819e9.jpg

O Banco Central (BC) decidiu, nesta sessão do Comitê de Política Monetária (Copom), reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com a mudança, o juro básico passa de 14,25% para 14% ao ano, em uma decisão anunciada ao final do segundo dia de reunião do colegiado, que é conduzido pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

A medida representa o quarto corte consecutivo no ciclo atual de ajustes da taxa. Até agora, todas as reduções seguiram o mesmo tamanho: 0,25 ponto percentual, totalizando 1 ponto percentual de queda desde o início do ciclo de afrouxamento monetário. O processo tem sido caracterizado por mudanças graduais na taxa básica.

Evolução da taxa básica de juros, a Selic
Evolução da taxa básica de juros, a Selic — Foto: Editoria de Arte

O atual ciclo de redução da Selic começou em março. Antes disso, a taxa havia ficado em patamar elevado por cerca de nove meses, após uma permanência no pico próximo de duas décadas, que chegou a 15% ao ano. Com o novo corte, a Selic atinge o menor nível desde março do ano passado, quando estava em 13,25%.

Comunicado não aponta caminho imediato

Para a reunião seguinte, prevista para setembro, o Copom não indicou uma rota com detalhes no comunicado. A avaliação do colegiado é que o cenário segue marcado por incerteza, com risco de desancoragem das expectativas de inflação, além de incertezas relevantes ao redor do panorama-base.

Mesmo sem sinalização direta sobre o próximo passo, o BC enfatizou que acompanha “com atenção” a evolução das previsões para os índices de preços frente à meta. A meta estabelecida é de um IPCA de 3% em 12 meses, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No mesmo trecho, o Copom destacou a necessidade de observar como a inflação esperada para prazos mais longos pode afetar a formação de preços e influenciar o custo do processo de desinflação.

O BC também registrou que a magnitude total do ciclo de calibração será definida a partir de novas informações, com o objetivo de assegurar convergência da inflação à meta.

“Serenidade” em meio à “incerteza”

Ao reforçar a postura do BC, o comunicado mencionou o “significativo aumento de incerteza” e a presença de riscos elevados. Nesse contexto, o Copom indicou que a condução da política monetária deve ser feita com “serenidade e cautela”.

Na formulação apresentada, o colegiado afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário para manter a restrição considerada adequada ao cumprimento da meta de inflação.

Entenda a Selic e o papel da taxa básica

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para tentar orientar a trajetória da inflação em direção à meta. No Brasil, o foco do regime de metas de inflação está no IPCA, com meta anual de 3%, tolerância de 1,5 ponto percentual e limite inferior e superior definidos pela banda de variação.

Com a decisão, a Selic passa a 14% ao ano. O patamar atual se insere em um processo de cortes já iniciado meses antes e que vem ocorrendo em ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião, até aqui.

Expectativa de mercado e diferença entre previsões

Nos bastidores, a decisão era vista como altamente provável por instituições do mercado, como bancos, gestoras e consultorias. Em uma rodada de levantamentos mencionada na cobertura sobre o tema, a maioria das estimativas apontava para a mesma redução de 0,25 ponto percentual. A expectativa divergente ficou concentrada em poucos participantes.

Em termos práticos, a mudança confirma uma convergência de leituras de curto prazo sobre a direção da política monetária, ao menos para esta reunião, mesmo com o BC mantendo comunicação cautelosa quanto ao que pode ocorrer no próximo encontro.

Comunicação considerada mais direta

Analistas apontaram que a comunicação desta reunião foi apresentada de forma mais objetiva do que a anterior. Em encontros recentes, parte do mercado interpretou que o detalhamento do comunicado anterior teria causado confusão ao explicar a redução da Selic mesmo diante de projeções oficiais de inflação ainda acima da meta naquele horizonte.

Após questionamentos, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, atribuíram a trajetória do desvio, em grande medida, a um choque associado ao fenômeno El Niño, que, segundo as explicações na época, tenderia a se dissipar no primeiro trimestre de 2028. O horizonte relevante considerado nas discussões foi descrito como um alvo móvel que abrange cerca de 18 meses à frente.

Leituras de economistas sobre o comunicado

Na avaliação de Fabio Kanczuk, ex-diretor do BC, o comunicado desta rodada foi “bastante sucinto”, com o Copom indo diretamente ao ponto. Ele também observou mudanças em mensagens específicas em relação ao texto anterior, como a forma de tratar a desancoragem de expectativas, embora relate não ter identificado sinalização mais clara quanto à condução dos juros nas próximas reuniões.

Segundo Kanczuk, a projeção de inflação para o horizonte relevante seria compatível com uma estratégia de seguir cortando a Selic no ritmo atual, desde que não surgisse uma situação de crise.

Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group, disse que o BC manteve a possibilidade de novos cortes e avaliou que há espaço para que isso ocorra, especialmente considerando a expectativa de estabilização do preço do petróleo no mercado internacional em torno de US$ 80 e a repercussão disso para a inflação. Na leitura dele, o cenário favoreceria pelo menos mais reduções no próximo ciclo de decisões.

Já Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, afirmou que o Copom acrescentou cautela adicional sobre desancoragem de expectativas e os riscos em torno do cenário-base. Para ele, diante do comunicado, haveria margem tanto para a manutenção da Selic em 14% quanto para uma nova redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, na reunião de setembro.

Em relatório, Salles apontou que o texto não trazia um direcionamento antecipado (“forward guidance”) e argumentou que isso pode decorrer do aumento de riscos e incertezas. Na interpretação do economista, diante da dificuldade de prever o cenário com precisão, o Copom tende a decidir de reunião em reunião, observando os dados e a evolução das variáveis macroeconômicas.

O que ajudou a formar o consenso

De forma geral, a construção das expectativas de mercado para a decisão veio acompanhando o comportamento recente de indicadores de inflação e de atividade econômica. Após o encontro de junho, em que o BC já não havia sinalizado com antecedência a direção para esta rodada, os dados mostraram, em parte, resultados considerados melhores do que o esperado.

Os índices citados na cobertura incluíram o IPCA de junho, que registrou variação positiva de 0,16%, e o IPCA-15 de julho, com alta de 0,06%. A leitura destacada por analistas recaiu principalmente sobre os componentes considerados subjacentes, associados à tendência da inflação.

Apareceu primeiro em: aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outras notícias

Imóveis anunciados

Assine nossa newsletter

Fica por dentro do que está acontecendo no mercado imobiliário de Rio de Janeiro, Brasil e mundo.

Atualizações semanais por e-mail. Receba toda sexta-feira as notícias que movimentaram o mercado durante a semana.

Acesse sua conta

CPF *
E-mail *
Senha *

Esqueceu sua senha?

ou Cadastre-se

Ao se cadastrar você poderá ter acesso a nossa newsletter de notícias, ofertas de imóveis e usar nossas ferramentas de inteligência artificial.

Seu nome *
Sobrenome *
Seu email *
Seu telefone *
CPF *
Senha *
Confirmação de senha *
Qual seu principal interesse aqui?

Acesse sua conta

CPF *
E-mail *
Senha *

Esqueceu sua senha?

Escolha um dos serviços abaixo

Seu imóvel merece mais do que anúncios genéricos. Criamos estratégias exclusivas de marketing e gestão comercial para destacar o seu patrimônio nos canais certos. Trabalhamos com campanhas direcionadas, parcerias estratégicas e uma curadoria de clientes qualificados – garantindo que seu tempo não seja desperdiçado com visitas sem perfil ou corretores que não valorizam seu imóvel. Você acompanha todo o processo com transparência, enquanto cuidamos de cada detalhe para acelerar a venda com segurança e valorização.

Você é incorporador ou construtor de imóveis? Entre em contato para alinharmos nossa parceria de vendas do seu lançamento.