Fitch aumenta a nota de crédito do Rio de Janeiro para ‘AAA’, o mais alto nível possível
Fitch eleva nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio
A agência de classificação de risco Fitch Ratings decidiu elevar a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro, passando de “AA+” para “AAA”. Com essa mudança, a capital fluminense alcança o mais alto nível de qualidade na escala nacional, mantendo perspectiva estável.
De acordo com a Fitch, a elevação acompanha uma melhora consistente na gestão fiscal do município ao longo dos últimos anos. A agência citou, no relatório, elementos como “sólidas margens operacionais” e “robustos indicadores de liquidez”, além da expectativa de que a dívida do Rio reduza gradualmente durante o período observado.
Revisão do Perfil de Crédito Individual (PCI)
A Fitch também ajustou para cima o Perfil de Crédito Individual (PCI) do município, que busca avaliar a saúde financeira sem considerar possíveis apoios externos. A classificação passou de “BB” para “BB+”, faixa indicada como risco médio a baixo, igualmente com perspectiva estável.
No conjunto dos fatores analisados, a agência apontou que o Perfil de Risco do Rio está classificado como “Médio a Baixo”, enquanto o Perfil Financeiro ficou na categoria “A”.
Receitas: robustez com limitações
Na avaliação da robustez das receitas, a Fitch considerou a classificação como “Média”. Entre os pontos destacados está a dependência relativamente baixa de transferências da União. A agência também mencionou que, apesar desse aspecto, o município apresenta exposição a fontes de arrecadação mais voláteis.
Por outro lado, a capacidade de ajuste das receitas recebeu classificação “Fraca”. Esse enquadramento foi atribuído à dependência de um número reduzido de contribuintes, à possibilidade limitada de alteração de impostos e ao histórico de intervenções federais na política tributária de estados e municípios.
Despesas: controle moderado, margem reduzida
Ao tratar das despesas, a Fitch classificou como “Média” a sustentabilidade. O relatório ressalta que o Rio mantém controle moderado do crescimento dos gastos, dispõe de margens sólidas e está em dia com o pagamento da folha.
Mesmo assim, a capacidade de ajuste das despesas foi definida como “Fraca”. Segundo a avaliação da agência, o município tem margem limitada para reduzir gastos caso haja um cenário de queda das receitas.
Passivos e liquidez avaliados como “Média”
A robustez de passivos e liquidez foi enquadrada como “Média”. A Fitch afirma que o Rio vem cumprindo regularmente suas obrigações nos anos analisados, o que resultou em um índice considerado muito baixo. Já a flexibilidade de passivos e liquidez também ficou em “Média”.
Na metodologia utilizada, a agência considera como referência um limite de 100% para a média dos três anos anteriores. Nesse recorte, o município apresentou índice médio de liquidez de 67,1%.
Comparação com São Paulo
Na avaliação, a Fitch tratou o Estado de São Paulo como o par mais próximo do Rio de Janeiro. Ambos possuem rating nacional de longo prazo “AAA”, com perspectiva estável, além de Perfil de Risco “Médio a Baixo” e Perfil Financeiro na categoria “A”.
A agência, porém, aponta uma diferença relevante em um indicador ligado ao payback — isto é, o prazo necessário para recuperar um investimento inicial. Para o Rio, o índice estaria menos pressionado e na parte superior da faixa indicada como “AA”. A Fitch relaciona esse aspecto ao fato de o PCI do município ficar um grau acima do registrado por São Paulo.
Limite imposto pela nota soberana do Brasil
Apesar do avanço na escala nacional, a Fitch ressalta que, no âmbito global, a classificação de estados e municípios brasileiros tende a ser limitada pelo chamado teto soberano do país. No momento, a nota do Brasil está em “BB”, com perspectiva estável.
Entenda o que significa uma nota de crédito
As notas de risco são utilizadas para avaliar a capacidade de governos e empresas de honrar dívidas. Normalmente expressas em letras, números e sinais, as classificações vão de “D” (nível mais baixo) até “AAA” (nível mais alto), separando-se entre grau especulativo e grau de investimento.
Na prática, a avaliação funciona como referência para investidores que buscam medir o risco de aplicar recursos em um país, estado ou município. Em geral, quanto melhor o conceito atribuído, maior costuma ser a percepção de segurança sobre a capacidade do emissor de cumprir seus compromissos financeiros.
Além disso, a nota pode afetar o acesso a determinados mercados e investidores. Alguns fundos e instituições financeiras internacionais, por exemplo, podem adotar políticas internas que restringem compras de títulos a categorias classificadas como grau de investimento por agências internacionais.
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