Inauguração na Avenida Rio Branco: primeiro residencial inspirado em grandes hotéis promete nova experiência de moradia
O Rio de Janeiro sempre cultivou uma admiração por Paris. Essa relação aparece em diferentes momentos da cidade, mas ganha destaque sobretudo no início do século XX, quando Pereira Passos inaugurou a Avenida Central — hoje Avenida Rio Branco. A obra buscava aproximar a então capital federal dos grandes centros europeus, inspirando-se nos boulevards parisienses para erguer uma via moderna e cosmopolita. A ideia era que a avenida se tornasse um novo cartão de visita urbano, marcada por uma paisagem composta por hotéis, cafés, lojas, cinemas e edifícios capazes de redefinir o ritmo do Centro.
Mais de um século depois, a inspiração volta a aparecer em um projeto voltado para a própria avenida. O ARB 26, descrito como o primeiro residencial da via, prevê a transformação de um prédio comercial existente em um empreendimento residencial de alto padrão, mantendo sua identidade arquitetônica e conectando referências do período de auge da Avenida Central com uma nova proposta de moradia.
Segundo o projeto, a intervenção preserva a arquitetura Art Déco do edifício e incorpora elementos inspirados em referências de hotéis e estabelecimentos europeus. Entre as características mencionadas estão toldos, comuns em fachadas de hotéis e lojas em Paris, como exemplificado no texto com a Cartier — ideia que, conforme apresentado, será reinterpretada no novo uso do imóvel pela Cité Arquitetura.
Prédio Art Déco na Avenida Rio Branco passa por retrofit
O empreendimento fica no número 26 da Avenida Rio Branco. O imóvel é o antigo Edifício Unidos, projetado pelo arquiteto Luigi Fossati e concluído em 1937. Durante décadas, o prédio foi ocupado por escritórios. Em determinado momento, chegou a registrar cerca de 80% de vacância, até ser adquirido pela WPX Empreendimentos.
Agora, a proposta é realizar um retrofit para converter o edifício em um residencial com 123 unidades. Em declaração no material do projeto, o CEO da WPX, Wagner Paz, relaciona a intervenção à noção de continuidade histórica: ele descreve o ARB 26 como um encontro entre “história e transformação”, associando a preservação da identidade do edifício ao reposicionamento do Centro em “um novo momento”.
A mudança de uso ocorre em um contexto mais amplo de requalificação da região central. A área, que por muitos anos foi marcada pela concentração de escritórios, começa a recuperar uma vocação residencial, apoiada por retrofits e pela retomada do interesse turístico e cultural. No caso do ARB 26, a localização é destacada por estar a poucos passos da Praça Mauá e da zona portuária.
Na apresentação, o entorno é descrito como um conjunto de equipamentos culturais e de circulação urbana, incluindo o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Boulevard Olímpico, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro Cultural Correios, o Paço Imperial, o Mosteiro de São Bento e a Pedra do Sal. A lista também cita a presença de restaurantes, bares e uma agenda crescente de eventos.
O Centro aparece, ainda, como parte de uma mudança de percepção entre visitantes. A região passa a ser integrada ao roteiro de quem visita a cidade, com a ênfase saindo do eixo tradicional concentrado na Zona Sul para incluir história, arquitetura e cultura. A ideia é que a presença de novas dinâmicas, somada a eventos e à programação cultural, transforme o bairro de um espaço apenas de passagem para um destino.
Arquitetura e serviços: 123 unidades no ARB 26
O lançamento do empreendimento está previsto para setembro. O ARB 26 é apresentado com 92 studios, 28 apartamentos de um quarto e 3 coberturas. As unidades variam entre 23,48 m² e 94,11 m². Alguns modelos de planta incluem varanda, terraço e áreas externas privativas.
O projeto também prevê dois rooftops, com piscina, sauna, academia panorâmica, lounge e mercadinho. Entre as áreas de uso comum, a proposta inclui coworking, lavanderia compartilhada, bicicletário, maleiro, espaço delivery e portaria automatizada.
A conexão com o restante da cidade é apontada como mais um fator relevante. O imóvel é descrito como com acesso ao metrô, VLT e ônibus, além da proximidade com o Aeroporto Santos Dumont e com as Barcas da Praça XV.
No material, Wagner Paz afirma que o interesse do público para o ARB 26 se apoia tanto na perspectiva de valorização imobiliária quanto nas possibilidades de uso das unidades. Ele menciona, como exemplo, a locação por temporada e a ideia de equilibrar potencial de ganho de capital com geração de renda, destacando isso como um elemento associado à atratividade do ativo.
Oferta reduzida e busca por alternativas impulsionam aluguel
Além do desenho do empreendimento e do reposicionamento do bairro, o texto traz dados do mercado para contextualizar o movimento imobiliário na região central. Um levantamento do Data Secovi citado no material indica que o Centro registrou valorização de 34,9% nos aluguéis em 12 meses, apontada como a maior alta entre os bairros do Rio. O resultado supera Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%) e Botafogo (21,9%).
No mercado de compra e venda, o Centro também teria liderado a valorização, com alta de 6,9% no período. Laranjeiras aparece com 6,4%, enquanto Copacabana teria registrado 5,9%, Flamengo 5,6% e Leblon 5,2%.
O cenário é descrito como resultado de dois movimentos paralelos: de um lado, a oferta para locação tradicional encolhendo; de outro, a procura por alternativas de hospedagem e locação por temporada crescendo. Mesmo com a indicação de que o preço do aluguel por metro quadrado no Centro ainda seria inferior ao de bairros como Leblon e Ipanema, a velocidade de valorização colocaria a região em destaque no interesse de investidores.
De acordo com os valores citados no texto, o aluguel no Centro aparece com referência de R$ 58,15 por metro quadrado, enquanto Leblon é apontado com R$ 129,10 e Ipanema com R$ 124,97. É justamente essa diferença, combinada ao aumento observado nos últimos meses, que ajuda a explicar o foco do mercado no Centro.
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