Petrobras, Dataprev e Banco do Brasil impulsionam retomada do Centro e devem anunciar novos avanços
O Centro do Rio volta a ganhar peso no mercado corporativo, com uma sequência de reocupações e novos contratos que prometem aumentar a circulação de trabalhadores na região. O movimento ocorre principalmente no entorno da Avenida República do Chile, área que, nas últimas décadas, consolidou-se como endereço relevante para empresas e agora retorna ao centro das atenções do setor.
Entorno da Avenida Chile mira nova fase
A Avenida República do Chile foi projetada há cerca de 60 anos sobre os terrenos do antigo Morro de Santo Antônio. A via se consolidou, especialmente a partir dos anos 1980, como um dos principais pontos empresariais do país. Agora, a retomada do mercado traz a expectativa de ampliar a presença diária de profissionais na área.
Até o próximo ano, três movimentos se destacam. No Edifício-Sede da Petrobras (Edise), a reocupação prevista é o principal motor de impacto. Além disso, a chegada da Dataprev e a ampliação das operações do Banco do Brasil devem somar mais de 10 mil pessoas à circulação diária do entorno.
Esse cenário é visto pelo empresariado local como um reforço para a retomada das atividades presenciais, com efeitos diretos no comércio e em serviços que dependem do fluxo contínuo de pessoas.
Petrobras acelera retorno presencial no Edise
A mudança de maior escala deve vir da Petrobras. Desde o ano passado, a companhia tem retomado gradualmente o trabalho presencial, encerrando o regime de teletrabalho adotado pela estatal. A medida foi anunciada como parte de um processo de reorganização do trabalho, que inclui o encerramento do home office para setores administrativos.
Com a conclusão das obras de modernização do Edise, o prédio — construído na década de 1970 — passará a operar em uma configuração que permite cerca de seis mil postos de trabalho. A estimativa apresentada ao município indica que o edifício deve receber aproximadamente oito mil pessoas por dia, entre funcionários, terceirizados e visitantes.
O projeto prevê ainda uma nova entrada para o edifício, voltada às ruas do entorno. A intenção declarada é redistribuir melhor o fluxo de pedestres e contribuir para a movimentação do comércio na região.
Dataprev amplia presença no Edifício Ventura
Enquanto a Petrobras avança no Edise, a Dataprev reforça a dinâmica de ocupação no Centro. A empresa de tecnologia e informações da Previdência assinou, em maio, um contrato de aproximadamente R$ 220 milhões para ocupar mais de 10 mil metros quadrados no Edifício Ventura.
De acordo com as informações divulgadas no recorte apresentado, a mudança envolve a saída de mais de mil funcionários da antiga sede, em Botafogo. Eles passarão a trabalhar em cinco pavimentos do empreendimento, considerado um dos ativos mais valorizados do mercado corporativo carioca.
Antes da decisão, a Dataprev avaliou outros seis edifícios de alto padrão no Centro, mas optou pelo complexo inaugurado em 2010, que já reúne companhias multinacionais e tem especificações técnicas direcionadas para ocupações de maior porte.
Banco do Brasil retoma reocupação do Edifício Sedan
Na Rua Senador Dantas, o Banco do Brasil também passou a tratar o Centro como destino estratégico. O banco havia colocado o Edifício Sedan em leilão por R$ 311 milhões, mas desistiu da venda e iniciou um processo gradual de reocupação.
Segundo apuração citada no material, cerca de 30 áreas administrativas já funcionam nos 18 primeiros andares da torre. A estratégia é ampliar a ocupação até utilizar os 40 pavimentos.
O banco informou que desenvolve um projeto de ampliação voltado às necessidades operacionais e administrativas da instituição.
Retorno do fluxo fortalece economia local
O avanço nesses projetos se soma à presença de empresas já estabelecidas na região, como BNDES, IBM Brasil, Meta, Accenture, BNY Mellon, Allianz Seguros e Capgemini. O Centro também abriga companhias do setor de petróleo, incluindo Shell, TotalEnergies, Baker Hughes e SLB.
Mais recentemente, a Ipiranga decidiu instalar sua sede no Edifício Ventura. A mudança envolve a ocupação de cerca de 4 mil metros quadrados, deixando São Cristóvão, e o empreendimento possui heliponto em suas duas torres.
Para Francisco Grelo, diretor de Operações e Inteligência da Aliança Cidade, o retorno de trabalhadores altera a dinâmica do entorno. “Esse fluxo diário sustenta restaurantes, cafeterias, farmácias, bancos e outros serviços que dependem da circulação de pessoas. Quando grandes empresas voltam a concentrar suas equipes no Centro, ajudam a reativar toda a economia do entorno”, afirma.
Dados apontam o Centro como principal polo econômico
Uma pesquisa citada por Francisco indica que o Centro concentra mais de 75 mil empresas ativas, número associado a cerca de um quinto dos CNPJs da capital. A estimativa também menciona aproximadamente R$ 2 trilhões em faturamento por ano e cerca de 600 mil empregos formais, reforçando o entendimento de que a região segue como o maior polo econômico do município.
Segundo ele, a Aliança Cidade reúne mais de 300 empreendimentos na Região Central e conta com três edifícios na Avenida Chile entre seus associados.
Mercado de escritórios: absorção e vacância em queda
Além da movimentação no dia a dia, os indicadores do mercado imobiliário corporativo acompanham a retomada. Levantamento da Newmark aponta que o Centro liderou a absorção líquida de escritórios de alto padrão no segundo trimestre deste ano, com cerca de 11 mil metros quadrados ocupados.
O desempenho ficou acima de outras áreas analisadas. A Barra da Tijuca registrou cerca de 1,9 mil metros quadrados e o eixo Flamengo-Glória somou aproximadamente 1,6 mil metros quadrados.
No acumulado do primeiro semestre, a absorção líquida chegou a 36 mil metros quadrados, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. A taxa de vacância também segue em queda, chegando a 23,5%, com trajetória de redução observada desde 2025.
Consultorias apontam cenário semelhante
Outras consultorias registram movimentos na mesma direção. A Colliers informou, no fim de 2025, a menor vacância da série histórica iniciada em 2016, com índice de 21%. A JLL identificou taxa de 26,5% nos edifícios A e A+, contra 31% um ano antes. Já a CBRE estimou disponibilidade de 18,7% em empreendimentos classificados como Triple A no Centro.
Impactos urbanos ampliam o efeito da Avenida Chile
Francisco também relaciona o momento da região a iniciativas de requalificação urbana. Ele menciona a transformação de trechos próximos da Avenida Chile, como a Rua da Carioca, que passaria a se chamar Rua da Cerveja dentro do Projeto Reviver Centro, com obras de infraestrutura e modernização. Ele cita ainda a Rua do Senado, continuação da Avenida Chile, apontada como destaque em avaliação recente.
Na avaliação apresentada, as ruas do entorno tendem a ser beneficiadas pela retomada, incluindo Senador Dantas, Avenida Treze de Maio, Largo da Carioca e Lavradio.
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