Por que os aluguéis residenciais subiram no país? Especialista revela as principais causas
Juros em patamar elevado e crédito mais restritivo têm contribuído para adiar decisões de compra de imóveis e, com isso, aumentar a procura pela locação. O resultado aparece nos dados do Índice FipeZAP, que mostram avanço nos preços dos aluguéis no país.
Em julho, os aluguéis residenciais subiram 0,70% no Brasil. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 9,28%, percentual acima da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo intervalo.
Maioria das cidades segue em alta
O comportamento identificado pelo Índice FipeZAP está presente em 34 das 36 localidades acompanhadas. Entre as capitais, o avanço aparece em 21 das 22 analisadas.
Entre os maiores aumentos em 12 meses estão:
- Aracaju: 16,12%
- Campo Grande: 11,95%
- Manaus: 11,04%
- Fortaleza: 10,98%
- Natal: 10,72%
- Rio de Janeiro: 9,94%
- Teresina: 9,33%
- Brasília: 6,93%
- João Pessoa: 6,50%
- Recife: 5,69%
- Vitória: 5,35%
- Goiânia: 5,21%
- Curitiba: 5,14%
- Cuiabá: 4,88%
- Porto Alegre: 4,62%
- Belo Horizonte: 4,42%
- Salvador: 4%
- São Paulo: 3,97%
- Maceió: 2,47%
- Belém: 1,08%
- Florianópolis: 1,04%
A única capital que registrou queda foi São Luís, com variação de -0,44%.
Por que a locação tem puxado a demanda
Para a economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, o movimento observado na média indica que, ainda que o cenário seja afetado por juros, os valores pedidos por proprietários seguem com valorização real.
Segundo ela, um dos elementos que ajudam a explicar o quadro é justamente a combinação de juros elevados e crédito mais restritivo. Nesse contexto, parte das famílias pode postergar a compra e transferir a busca por moradia para o mercado de locação.
A especialista também aponta que, quando esse deslocamento ocorre em regiões onde a oferta de imóveis não cresce na mesma proporção, o resultado tende a favorecer pressão sobre os preços dos aluguéis.
Diferenças entre cidades dependem do mercado local
Mariangela destaca que as variações de uma cidade para outra não são uniformes. De acordo com ela, características do mercado imobiliário local podem influenciar o ritmo de alta, incluindo:
- crescimento da demanda por moradia;
- disponibilidade de novos imóveis;
- dinâmica econômica e de renda;
- mobilidade populacional;
- características do estoque disponível.
Ela observa ainda que, enquanto a média nacional acumula 9,28% de alta em 12 meses, há localidades com crescimento mais intenso, como Aracaju (25,78%), Teresina (19,16%) e Fortaleza (16,27%). Por outro lado, também existem mercados em que o reajuste ocorre de forma mais moderada.
Outro fator lembrado pela economista é que resultados podem ser afetados pela composição dos imóveis anunciados ao longo do período. Isso envolve diferenças de localização, tipologia e padrão das unidades presentes na amostra.
Assim, os dados refletem tanto uma tendência mais ampla quanto particularidades de cada região, reforçando que não há um único padrão para o comportamento da locação no país.
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