Rio de Janeiro: preço dos imóveis dispara em novos lançamentos e assusta compradores
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro registrou uma aceleração relevante nos preços de lançamentos nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026. Segundo dados do Índice de Lançamentos Imobiliários DataZAP, divulgados pelo Radar da Construção, a capital fluminense concentrou o maior aumento entre as capitais, com alta de quase 70% no período.
O resultado chama atenção por destoar do padrão nacional. Enquanto o Rio teve valorização próxima de 70%, o avanço médio do país ficou em torno de 10%. Em termos de custos associados à construção, o Índice Nacional de Custo da Construção do IBGE apontou crescimento de 6,17% no mesmo intervalo, o que ajuda a contextualizar o movimento observado nos preços de lançamentos.
Rio lidera alta em lançamentos
Os números apontam que o aumento no preço dos lançamentos na cidade ultrapassou a faixa de 12,8 mil reais por metro quadrado. A disparada, conforme a análise divulgada, aparece com maior intensidade em empreendimentos voltados a faixas de renda médio/alto padrão e também em imóveis de luxo.
Além da capital, o levantamento indica que a variação alcançou diferentes segmentos, mas com intensidade mais pronunciada exatamente onde o consumidor tende a buscar localização privilegiada e maior disponibilidade de infraestrutura nos empreendimentos.
“Corrida para o mar” ajuda a explicar
Entre as explicações para a valorização, a proximidade com o mar e a oferta mais restrita de terrenos aparecem como fatores centrais, especialmente em áreas mais adensadas e tradicionalmente valorizadas. Para o pesquisador e gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX, Coriolano Lacerda, o endereço tem peso decisivo na formação do preço.
“Na cidade, o endereço tem um peso muito relevante na formação de preços, e isso está relacionado a muitos fatores, como a escassez de terreno para o lançamento dos imóveis em regiões mais próximas ao litoral e em bairros consolidados. No anuário Datazap, a gente chama esse movimento de corrida para o mar, com valores mais elevados do metro quadrado, nas áreas mais próximas da orla, especialmente na zona sul. Bons terrenos em regiões desejadas são limitados. Os projetos têm maior qualificação e a demanda segue reagindo melhor nos produtos bem localizados”.
Na prática, a combinação entre interesse elevado por determinadas regiões e menor disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos tende a reduzir a oferta em localidades mais procuradas. Com isso, os imóveis passam a ser negociados a patamares mais altos, mesmo quando comparados a outras partes da cidade.
Troca de bairro por preço e infraestrutura
O impacto da alta também aparece nas decisões de compradores. Um exemplo relatado na pesquisa envolve a gerente de marketing Uyara Assis, que desistiu de adquirir um apartamento em um condomínio lançado no Leblon, na Zona Sul. O motivo, segundo o relato, foi a relação entre preço e o conjunto de requisitos desejado.
“A gente queria um apartamento maior, um apartamento que tivesse uma distância de área de lazer, essa questão da infraestrutura, de ter um espaço para a criança brincar, com quadra, com piscina, era bem importante para a gente. a gente queria muito achar um apartamento nesses requisitos no Leblon. a gente acabou desistindo de encontrar alguma coisa no Leblon que fosse um imóvel novo, um imóvel com infraestrutura, por conta de que a oferta é pouca nesse sentido, né? E aí o que tinha realmente era muito caro e não rolou. Num bairro que tem um metro quadrado muito caro, então a gente acabou desistindo. E é por isso que a gente escolheu esse empreendimento na Barra”.
No relato, a alternativa encontrada foi buscar um empreendimento com características semelhantes na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. A mudança de endereço, portanto, foi relacionada à combinação entre custo e disponibilidade de projetos que atendessem às preferências do comprador.
Turismo como fator adicional de valorização
Outro ponto citado no levantamento é a retomada do turismo na capital fluminense. Para Leonardo Mesquita, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, a dinâmica regional do Rio ainda indica espaço de recuperação, e fatores como turismo e cenário econômico contribuem para melhorar o mercado imobiliário.
“Eu acho que quando você olha o Rio de Janeiro por regiões, você ainda verifica que tem muita oportunidade. De determinadas regiões de preços do metro quadrado, mostrando que o Rio está no no no caminho de recuperação muito boa e fatores como turismo, economia tem ajudado muito a melhorar também o mercado imobiliário”.
Embora o foco do levantamento seja a alta nos lançamentos, a interpretação do dirigente aponta para um ambiente em que o movimento do turismo pode reforçar o interesse por habitação e, em alguma medida, influenciar a percepção de valor em diferentes regiões.
Perfil de demanda: preferência por dois dormitórios
O levantamento também traz informações sobre a procura por unidades. Quase metade das pessoas com interesse em comprar um apartamento busca opções de dois dormitórios.
Já os imóveis de um quarto aparecem com procura de 15% dos eventuais compradores. Ainda assim, o dado ressalta que essa preferência não significa baixa demanda no conjunto do mercado, já que os apartamentos desse tipo representam 7% da oferta total.
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