Secovi-SP: Coordenador destaca avanço do retrofit no Centro de São Paulo em entrevista
O retrofit, entendido como a reforma que recupera edifícios antigos em vez de substituí-los por novas construções, tem ganhado espaço no Centro de São Paulo. A tendência aparece como uma alternativa para reanimar a região, atraindo novos usos — e, em alguns projetos, buscando ampliar também a oferta de moradia.
Segundo reportagem exibida no SPTV 2ª Edição desta segunda-feira, 17 de agosto, a pauta contou com a participação de Eduardo Della Manna, coordenador executivo da vice-presidência de Assuntos Legislativos e Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP.
Prédios históricos e a busca por reocupação
O Centro de São Paulo concentra dezenas de edifícios que surgiram no início do século XX e sobreviveram a diferentes ciclos de verticalização. Ainda assim, muitos imóveis passaram longos períodos sem ocupação ou com pouca manutenção.
Nesse contexto, o retrofit surge como estratégia para recuperar essas estruturas e adequá-las a novos objetivos, como moradia e comércio. A proposta, em vez de tratar os prédios como obstáculo ao desenvolvimento, passa a incorporá-los ao ritmo urbano atual.
Incentivos municipais para viabilizar reformas
Para estimular iniciativas do tipo, a prefeitura de São Paulo criou benefícios direcionados a esse tipo de requalificação. Entre as medidas citadas na reportagem, estão isenções de IPTU e descontos em outros tributos.
Um exemplo mencionado é o edifício Rodrigo Soares, na Rua Aurora. O prédio foi entregue em agosto de 2024 após passar por reforma e mudança de uso. Moradores da região relataram que a recuperação do comércio local e a abertura de novos restaurantes contribuíram para aumentar o movimento e a percepção de segurança no entorno.
Mais unidades, mas o desafio de fixar moradores
Outro caso apresentado é o edifício Chrysler, na Praça da República. A iniciativa de retrofit resultou na soma de 283 unidades habitacionais aos números oficiais do município.
Ainda assim, a reportagem aponta uma dificuldade recorrente: parte dessas unidades é destinada à locação por curta temporada. Com isso, mesmo havendo aumento do estoque habitacional, nem todas as soluções necessariamente garantem uma ocupação permanente e estável do público morador.
Programas de incentivo e foco limitado em habitação de interesse social
Em 2023, a prefeitura ampliou os instrumentos de apoio com o Programa de Subvenção Econômica. A medida, conforme descrito na reportagem, permite ao poder público cobrir até 25% do custo da reforma, sem exigir devolução do valor pelo empreendedor.
Somados os diferentes programas, 49 edifícios já teriam recebido algum tipo de incentivo para retrofit. No entanto, a reportagem ressalta que apenas nove desses empreendimentos preveem moradias de interesse social.
De operações urbanas a um plano voltado à região central
A transformação do Centro é tratada como um processo em construção. A reportagem lembra que o planejamento começou em 1997, com a Operação Urbana Centro. Posteriormente, o tema passou por revisão e foi substituído por um plano de intervenção mais específico, o PIU Central.
Eduardo Della Manna, que atua junto ao conselho gestor do PIU Central, comentou a continuidade entre as operações e destacou a relevância atribuída ao repovoamento da área central, em diferentes faixas de renda.
Recursos para retrofit com moradia social
De acordo com a matéria, pela primeira vez haveria uso de recursos da Operação Urbana Centro em uma obra de retrofit voltada à moradia social.
O modelo descrito envolve valores pagos por construtoras à prefeitura relacionados ao direito de construir acima da altura permitida na região. Esses montantes seriam convertidos como crédito para famílias com renda de até três salários mínimos.
O prédio mencionado fica na Rua Sete de Abril. O imóvel era de propriedade da prefeitura e já chegou a ter ocupação por movimentos de moradia. No projeto, o local passará por retrofit para se tornar residencial, e, nos fundos do terreno, haverá a construção de um novo edifício.
Ao todo, 18 milhões de reais do Fundo da Operação Urbana serão destinados a financiar a aquisição dos imóveis por 98 famílias.
Articulação entre poder público e setor privado
Na avaliação apresentada na reportagem, um dos pontos do tipo de projeto envolve a parceria entre poder público e iniciativa privada. A ideia é unir a atuação institucional com a capacidade do setor privado de executar obras com agilidade.
Eduardo Della Manna afirmou que a colaboração permite que governo municipal e estadual atuem de forma conjunta, enquanto a iniciativa privada — com conhecimento técnico para construir — contribui para atender parcelas da população mais carente.
Para acompanhar a reportagem, a matéria informa um recorte de exibição a partir do minuto 9:25 até o 15:43.
Fonte: G1 / SPTV 2ª Edição
g1.globo.com/sp/sao-paulo/sp2/video/edicao-de-17082026-14876955.ghtml
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