Vinícius Benevides assume a comissão e leva a força do Parque Madureira à liderança nacional
Engenheiro formado no Rio de Janeiro e com trajetória voltada a infraestrutura, licitações e gestão de contratos, Vinícius Augusto Pereira Benevides foi nomeado para a presidência da Comissão de Infraestrutura (COINFRA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) no ciclo 2026–2029. No mesmo período, ele também assume o posto de vice-presidente de Infraestrutura da entidade nacional.
A indicação coloca Benevides à frente de uma das frentes estratégicas da CBIC, voltada a debates sobre obras públicas e arranjos de investimento. A COINFRA sucede a gestão de Carlos Eduardo Lima Jorge, com a nova condução alinhada ao mandato da direção nacional liderada por Eduardo Aroeira Almeida.
De temas de faculdade à pauta da COINFRA
O interesse de Benevides por licitações e contratos aparece desde os anos de formação. De acordo com registros curriculares públicos citados no histórico profissional, seu trabalho de conclusão de curso foi apresentado sob duas formulações próximas relacionadas a licitações e à Lei 8.666/93. Com o tempo, o tema continuou atravessando sua atuação, agora em nível institucional e com impacto direto sobre a forma como o setor lida com contratação de obras.
Formado em Engenharia Civil pela Universidade Gama Filho, Benevides também ampliou sua formação com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e cursos de extensão nas áreas de incorporação imobiliária, engenharia legal, ESG e pavimentos flexíveis. Ele ainda possui certificação internacional CP3P, voltada à estruturação de parcerias público-privadas e concessões.
Na leitura do próprio setor, a combinação entre engenharia e gestão empresarial ajuda a explicar a inserção dele em uma área onde decisões técnicas frequentemente dependem de aspectos jurídicos, financeiros e administrativos.
Carreira no Rio: empresa, obras e experiência técnica
A trajetória profissional de Benevides é majoritariamente construída no Rio de Janeiro. Ele fez parte da Dimensional Engenharia, companhia aberta na capital fluminense em 1994, e passou a figurar como sócio-administrador em fevereiro de 2004, conforme apontam os dados do histórico. Atualmente, atua como diretor operacional e também responde por iniciativas de inovação da empresa.
Além do trabalho na gestão e na operação, seu currículo associa seu nome a contratos e frentes técnicas ligadas a obras e intervenções conhecidas no estado. Entre elas, estão a Future Arena (Arena de Handebol) para os Jogos Olímpicos Rio 2016; a implantação do Parque Madureira; e o empreendimento habitacional Morar Verde Babilônia.
O histórico também menciona trabalhos de recuperação e modernização viária, como a retomada da pista da Linha Amarela, iniciativas como PavimentaRio, Asfalto Olímpico e Asfalto Liso, além de intervenções em diferentes regiões. Também constam ações relacionadas a obras como o viaduto em arco metálico com lançamento longitudinal executado em Três Rios e a requalificação de segmentos da RJ-146. O repertório inclui ainda ações na Região Serrana e intervenções em logradouros da Área de Planejamento 5, na Zona Oeste.
Publicações e foco em monitoramento e transparência
Parte desse conjunto de experiências foi debatida em publicações atribuídas ao engenheiro. Em um artigo publicado em fevereiro de 2024 no DIÁRIO DO RIO, Benevides descreveu soluções técnicas ligadas à recuperação do pavimento do Aterro do Flamengo e à eliminação do chamado “pulinho de São Conrado”. No mesmo material, ele relatou participação como responsável técnico pelo contrato do Asfalto Liso nas áreas de planejamento 1 e 2, abrangendo Centro, Zona Sul e Grande Tijuca.
O texto também reforça um traço recorrente de sua atuação: a defesa do uso de ensaios, equipamentos de monitoramento, mapeamento digital e mecanismos de transparência como elementos capazes de qualificar resultados em obras urbanas.
Inovação, sustentabilidade e prêmios no setor
Além de contratos e operação, Benevides ganhou projeção ao aproximar engenharia tradicional de ferramentas digitais e de estratégias associadas à sustentabilidade. Ele aparece como autor de trabalhos premiados pelo InovaInfra em 2020, 2021 e 2022, abordando temas como o uso de drones para modelos virtuais em BIM, a aplicação de tecnologia para ampliar transparência na execução e ações associadas à neutralização de emissões de carbono na construção.
Na mesma linha, participou de encontros do setor e conferências do Green Building Council voltadas à incorporação de princípios de ESG aos projetos de engenharia.
Em março de 2026, a Dimensional foi apresentada como vencedora do Prêmio InovaInfra pela quinta vez, com um artigo técnico atribuído a Benevides sobre a primeira aplicação urbana monitorada, no Brasil, de uma mistura asfáltica morna produzida com o CAP Pro W, material desenvolvido pela Petrobras. O experimento foi executado na Rua Figueiredo de Magalhães, em Copacabana, em colaboração com pesquisadores da COPPE/UFRJ, com dados descritos no histórico profissional sobre redução de temperatura média e diminuição estimada de emissões.
Essa atuação está associada ao recebimento do Prêmio Líderes do Rio em 2022 na categoria Inovação e, posteriormente, a um reconhecimento também em ESG. Ele ainda foi citado como protagonista da engenharia em recortes atribuídos à revista O Empreiteiro no período 2010–2020 e recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio. Em 2022, aparece como coautor do livro A Infraestrutura Brasileira perante a Nova Lei de Licitações e Contratos, publicado pela BrasInfra.
Atuação em entidades: CBIC, Sinduscon, ADEMI e Clube de Engenharia
O perfil de Benevides inclui participação contínua em entidades do setor. Ele é vice-presidente do Sinduscon-Rio, integra a diretoria da ADEMI-RJ para o mandato de 2026 a 2027 e também ocupa função de direção no Clube de Engenharia.
Antes do avanço à COINFRA, o histórico registra participação em conselho da entidade e em debates nacionais sobre licitações, saneamento, concessões e infraestrutura.
Em paralelo, Benevides teve atuação em grupos técnicos ligados a normatizações e instrumentos de comprovação de experiência. Foi parte de um grupo do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia que atuou na Resolução nº 1.137/2023, associada à Certidão de Acervo Operacional. Em 2025, passou a representar Sinduscon-Rio e Dimensional em grupo no CREA-RJ, voltado a normatizar e tornar mais eficiente a emissão de certidões de acervo técnico e operacional.
O currículo institucional também menciona participação em Conselho Municipal do Meio Ambiente, acompanhamento de concessões de saneamento no estado do Rio e presença em fórum ligado à construção civil da Firjan.
Prioridades da nova gestão na COINFRA
Na agenda atribuída à nova gestão, Benevides parte de uma leitura de que o desafio brasileiro não está apenas no volume de recursos destinados à infraestrutura, mas também na capacidade de transformar planejamento e verbas em projetos maduros, contratações viáveis e obras concluídas.
Como referência, o histórico cita dados do Tribunal de Contas da União (TCU), com menções a milhares de contratos analisados e a paralisações associadas a problemas técnicos e abandono por empresas. A síntese apresentada no material reforça a ideia de que o custo social e econômico de obras inacabadas tende a ser elevado.
Entre as diretrizes destacadas para o trabalho na COINFRA, estão medidas para qualificar etapas anteriores à licitação, como estudos, sondagens, levantamentos topográficos e projetos básicos detalhados o suficiente para apoiar a precificação. Também aparece a intenção de discutir orçamentos mais próximos dos custos efetivos, critérios de qualificação técnica e econômico-financeira, além de mecanismos mais ágeis para recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
Outro ponto apontado é a oposição ao uso do modo de disputa aberto em contratações de obras de engenharia, com crítica à dinâmica de lances sucessivos que poderia levar a descontos incompatíveis com a execução do objeto. A proposta, segundo o histórico, busca preservar o interesse público na relação entre funcionalidade, qualidade, prazo e durabilidade, com maior clareza em exequibilidade e em responsabilização quando houver abandono de contratos.
A agenda também prevê defesa de revisão de parâmetros ligados ao BDI, divulgação de dispute boards como mecanismos de prevenção e solução de disputas e atualização de regras gerais para reequilíbrio econômico-financeiro. No mesmo sentido, a visão apresentada no material sustenta que a segurança jurídica deve ser bilateral, com obrigações claras e cumprimento correspondente tanto por parte do poder público quanto pelas construtoras.
Há ainda a proposta de criação de um Plano Diretor para obras públicas com horizonte mínimo de dez anos, com organização de uma carteira nacional baseada em critérios como retorno econômico e social, urgência, maturidade de projetos, capacidade de financiamento e chance real de conclusão. Em áreas apontadas como prioritárias estão saneamento e segurança hídrica, prevenção de enchentes e deslizamentos, adaptação climática, mobilidade urbana, logística integrada, geração e transmissão de energia, infraestrutura digital, manutenção preventiva e retomada de obras paralisadas.
Por fim, o financiamento é descrito como uma combinação entre recursos públicos e privados. Concessões e PPPs seriam direcionadas a cenários com retorno econômico capaz de atrair capital, enquanto investimentos estatais continuariam relevantes em projetos de benefício predominantemente social. Na condução da COINFRA, a comissão é apresentada como uma instância de articulação e produção de inteligência de mercado, inclusive com atenção a pequenas e médias construtoras.
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