Barra ultrapassa limites da Zona Sul: apartamento em alta é vendido a R$ 62 mil/m²
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro vem assistindo à consolidação de um novo patamar de preços na Barra da Tijuca. Depois de anos em que a Zona Sul concentrou a maior parte dos valores mais altos do metro quadrado, a região passou a apresentar números que colocam a disputa direta com bairros tradicionalmente mais caros.
Um exemplo recente aparece na negociação de uma unidade do ATTO Design by Pininfarina, residencial de frente para o mar na Avenida Lúcio Costa, desenvolvido pela ARKT Incorporadora. Segundo os dados citados no levantamento que acompanha o lançamento, o metro quadrado chegou a alcançar a marca de R$ 62 mil. Com isso, a Barra passou a registrar preços incomuns fora dos endereços mais valorizados do Leblon e de Ipanema.
Barra chega a R$ 62 mil por metro quadrado
De acordo com a referência do Secovi Rio mencionada pela incorporadora, o metro quadrado médio comercializado na área do entorno está em torno de R$ 25 mil. A unidade que atingiu o valor máximo foi negociada 148% acima da média regional.
As vendas mais recentes, especialmente concentradas nos andares mais altos, teriam contribuído para esse resultado. Para as demais unidades comercializadas, a média apurada fica em torno de R$ 56 mil por metro quadrado.
A proposta do ATTO e a assinatura Pininfarina
O preço elevado não é explicado apenas pela vista para o mar. O projeto também se apoia em um elemento de diferenciação: a presença da Pininfarina, tradicional casa italiana de design, conhecida por projetos de automóveis para marcas como Ferrari e Maserati. Este é o primeiro empreendimento assinado pela Pininfarina no Rio.
O residencial foi planejado com apenas 20 residências de frente para o mar. As metragens indicadas para as unidades variam de 467 m² a 1.189 m². O VGV estimado informado no material do lançamento é de R$ 600 milhões.
Além da arquitetura descrita como autoral, o projeto reúne design italiano e um conjunto de elementos vinculados à certificação internacional de bem-estar.
Outras grifes chegam à Barra
A chegada de marcas e conceitos em torno do produto também é apontada como parte do movimento de reposicionamento na Barra. O bairro, conhecido por condomínios amplos e apartamentos de maiores dimensões, passa a receber lançamentos em que a grife participa da proposta do empreendimento.
Dentro dessa lógica, o material citado menciona projetos do modelo branded residence. Na Ilha Pura, o Pura by Artefacto leva a assinatura da Artefacto, referência em mobiliário de alto padrão. Já no Marino By Breton, na quadra da praia, a proposta integra a incorporadora Avanço à marca Breton.
Cobertura lançada por R$ 80 milhões
O ATTO também é mencionado no contexto de um movimento mais amplo de preços na região. Antes mesmo de aparecer a marca de R$ 62 mil por metro quadrado, o residencial já havia chamado atenção por uma negociação anterior: uma cobertura foi lançada por R$ 80 milhões.
Esse valor foi descrito como um dos mais altos pedidos por uma unidade residencial em lançamentos no Rio. A referência apresentada no material compara a cifra a uma cobertura do TOM, localizada na Delfim Moreira, no Leblon, anunciada na faixa de R$ 45 milhões.
Henrique Blecher e a tese de valorização da Barra
O reposicionamento da Barra é associado às declarações do empresário Henrique Blecher, que, segundo o texto citado, defendia desde 2020 a ideia de que a região poderia se consolidar como um dos endereços mais valorizados do Rio.
De acordo com a fala atribuída a Blecher, a expectativa envolvia o amadurecimento do bairro e a combinação de fatores que vêm sustentando o aumento do valor dos imóveis. O empresário afirma que, desde 2020, sustenta a tese de crescimento da Barra como destino entre os mais valorizados e menciona que, em meses anteriores, teria indicado que o ATTO alcançaria uma faixa de preço inédita para a região.
Na interpretação divulgada, o movimento também se conecta a aspectos como infraestrutura e serviços, além de avanços de mobilidade e conectividade. A avaliação destacada no material é a de que a soma desses elementos fortalece o interesse por áreas da Barra, aumentando a demanda e reforçando a percepção de valor.
Escopo de obra e números da fundação
Além do discurso de posicionamento, o projeto também traz números específicos relacionados à obra. A fundação do prédio é descrita com 42,5 toneladas de aço e 750 m³ de concreto, volume equivalente a 94 caminhões.
Na etapa de escavação, teriam sido removidos cerca de 16 mil m³ de material, correspondente a aproximadamente 1.150 caminhões. Entre os destaques da execução está uma das maiores sapatas já realizadas em um residencial na região, com quase 140 m².
Segundo a descrição do material, essa sapata recebeu 400 m³ de concreto especial com gelo e 23,6 toneladas de aço. A laje de subpressão também aparece como um ponto de destaque, com 471 m³ de concreto e 62,3 toneladas de aço.
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