Compactos em alta: por que ganham protagonismo no mercado imobiliário
Imóveis compactos seguem ganhando espaço no mercado imobiliário brasileiro, com desempenho que combina liquidez, acessibilidade e potencial de renda. Em recorte do Índice FipeZAP, unidades de dois quartos se destacaram por apresentarem a maior valorização em 12 meses: 10,21%. Já as de um dormitório aparecem com o maior preço médio por metro quadrado, de R$ 72,08, e com a maior rentabilidade estimada do aluguel entre as tipologias consideradas, chegando a 6,78% ao ano.
Para a economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, a valorização mais acentuada de imóveis compactos está relacionada ao chamado “prêmio da compactação”. Na avaliação dela, unidades menores tendem a ter custo final mais acessível quando localizadas em áreas urbanas valorizadas e com boa infraestrutura, o que aumenta a procura. Além disso, segundo a economista, mudanças no desenho das famílias também influenciam a demanda: cresce o número de lares unipessoais, o que favorece a busca por esse tipo de imóvel. Ela ressalta, porém, que a intensidade dessa dinâmica pode variar conforme o perfil e as particularidades de cada cidade.
No Rio de Janeiro, essa movimentação ganha contornos próprios. Ernesto Otero, CEO da Lobie, empresa voltada à gestão de ativos imobiliários voltados para locações de curta temporada, afirma que os dados indicam uma convergência entre moradia, investimento e turismo no interesse por unidades menores. De acordo com ele, a vocação turística da cidade contribui para ampliar o fluxo de visitantes — nacionais e internacionais — de forma consistente, o que reforça a demanda por imóveis de um e dois quartos bem localizados.
Otero também associa o interesse do investidor a fatores como possibilidade de entrada mais acessível, liquidez e geração de renda via locação de curta temporada. Para ele, o avanço do turismo atua como um elemento adicional de procura por esse tipo de ativo, ajudando a explicar por que os compactos têm despertado atenção no mercado carioca. O executivo destaca ainda uma mudança no perfil de quem busca esse imóvel: há mais pessoas morando sozinhas, além de famílias com filhos que deixaram a casa dos pais, idosos e pessoas divorciadas. Esses grupos, segundo Otero, também contribuem para a demanda por unidades menores em locações.
Marcelo Borges, presidente da Abadi (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis), reforça a leitura do cenário ao observar que, além do apelo de um custo menor de manutenção e de uma localização frequentemente mais vantajosa, existe uma busca crescente por alternativas ligadas ao rendimento do aluguel. Ele menciona a dinâmica das locações de short stay (curta temporada) como parte do movimento que tem atraído proprietários interessados em resultados de aluguel.
Na mesma linha, Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio (Sindicato da Habitação), afirma que os dados refletem mudanças no mercado imobiliário e lembra que, no Brasil, investir em imóveis tem relevância cultural. Para Schneider, as unidades menores tendem a apresentar liquidez maior e velocidade de locação mais alta, especialmente quando estão próximas de transporte, comércio e serviços. Ele aponta que a combinação entre preço de entrada mais baixo, alcance de demanda mais amplo e maior rapidez na locação cria condições para a valorização de imóveis de um quarto.
Com o conjunto de fatores — desde a composição da demanda até o impacto de turismo e localização — o desempenho observado em diferentes recortes reforça a tendência de que apartamentos compactos seguem vistos, simultaneamente, como opção de moradia e como alternativa de investimento, com atenção especial aos atributos que aumentam a procura e reduzem o tempo necessário para negociar e locar.
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