Carioca: mercado imobiliário segue em ritmo acelerado de expansão e valorização
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro manteve, no primeiro semestre deste ano, o ritmo de expansão observado em 2025. O desempenho aparece em números divulgados pela Pesquisa do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro, realizada pela Brain Inteligência Estratégica para a Ademi-RJ, que aponta elevação em lançamentos, preços e vendas no período.
Preços sobem e oferta segue em patamar considerado saudável
Entre junho e junho do ano anterior, o valor médio do metro quadrado residencial aumentou 13%. Em junho, a média foi de R$ 13.422 no comparativo anual.
Ao mesmo tempo, a oferta disponível permaneceu em torno de 20%. Segundo a pesquisa, esse percentual é considerado equilibrado por indicar a existência de imóveis à venda sem formação de excesso de estoque.
Mais vendas no trimestre e equilíbrio entre oferta e demanda
Com valorização e uma oferta em níveis considerados adequados, as vendas reagiram. De abril a junho, foram comercializadas 7.294 unidades residenciais na cidade. O volume representa 44,1% de alta em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
No acumulado de 12 meses encerrado em junho, o mercado somou 24.634 imóveis vendidos. Esse montante ficou praticamente no mesmo patamar dos lançamentos registrados no período, sugerindo proximidade entre demanda e oferta.
Um ano com desafios, mas sem interromper a tendência
O avanço ocorre em um contexto descrito como mais exigente para o setor. A análise menciona que o calendário do ano foi mais curto para os negócios, devido à Copa do Mundo e ao período eleitoral — fatores que, historicamente, podem reduzir o ritmo de parte das atividades ao longo do ano. Somam-se a isso os juros elevados, que aumentam o custo do financiamento e tendem a elevar a cautela de compradores.
Mesmo com esse cenário, o mercado conseguiu sustentar uma trajetória de crescimento que vinha sendo observada nos anos anteriores.
Escassez de terrenos limita a produção de novas unidades
Para o presidente da Ademi-RJ, Leonardo Mesquita, há um gargalo relacionado à capacidade de oferta: segundo ele, o Rio produz poucos imóveis, especialmente em regiões mais estruturadas, devido à escassez de terrenos disponíveis que permitam a construção de empreendimentos residenciais.
Ao mesmo tempo, a demanda segue em movimento. Mesquita destaca que o aumento do turismo contribuiu para elevar a procura por locação de curta temporada, o que amplia o interesse por determinados nichos e regiões.
Lançamentos acompanham o aquecimento das negociações
Os lançamentos aparecem alinhados ao desempenho das vendas. Nos últimos 12 meses, entraram no mercado mais de 25 mil novas unidades residenciais. Esse número é comparado ao patamar de cerca de 15 mil registrado em junho de 2021.
Em valores, a pesquisa indica que o mercado movimentou R$ 4,657 bilhões em lançamentos entre abril e junho. Já no acumulado de um ano, o Valor Geral de Lançamento (VGL) chegou a R$ 17,36 bilhões.
Interesse se concentra em bairros específicos e há destaque em vendas
A combinação de demanda contínua e oferta em evolução vem favorecendo empreendimentos e regiões com maior procura. Segundo o diretor-executivo da Somma Rio, Rodrigo Ladeira, bairros da Zona Sul — com ênfase no eixo Copacabana-Ipanema-Leblon — ganharam destaque no período.
Na análise divulgada, o Flamengo aparece como líder de vendas no primeiro semestre, associado a um único lançamento que teria respondido por quase R$ 200 milhões em negócios. Ipanema ficou em segundo lugar, com o interesse também impulsionado por investidores, e o Centro aparece em terceiro. No período, a empresa teria comercializado mais de R$ 1 bilhão em imóveis.
Perspectiva para o segundo semestre e influência de programas habitacionais
A avaliação de Ladeira também traz uma projeção para o restante do ano. Ele afirma que o mercado tem cerca de R$ 9 bilhões previstos para lançar no segundo semestre e aponta que a Zona Sudoeste deve se destacar com dois grandes empreendimentos na Barra da Tijuca.
O executivo menciona ainda a possibilidade de ampliação de uma faixa do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), incluindo unidades de até R$ 1,2 milhão, considerando que isso pode gerar impacto relevante para o mercado carioca.
Leitura do desempenho considera o calendário do ano
Para Marcelo Gonçalves, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, os resultados devem ser interpretados considerando que se trata de um ano com cerca de nove meses efetivos para a dinâmica do setor — em referência ao período da Copa do Mundo e às eleições em outubro.
Apesar dessa ressalva, a percepção é de continuidade do aquecimento. Gonçalves afirma que o mercado segue ativo e que o comprador pode encontrar mudanças rápidas tanto em preço quanto em disponibilidade ao longo do tempo.
Indicadores reforçam equilíbrio entre oferta e demanda
Os dados da pesquisa apontam estabilidade no balanço do setor. No acumulado de 12 meses, foram lançadas 25.097 unidades e vendidas 24.634. A diferença relativamente pequena entre os dois volumes é apresentada como evidência de um mercado em equilíbrio, no qual a demanda continua acompanhando a entrada de oferta.
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