Centro do Rio entra no ranking dos bairros com os aluguéis mais caros da cidade

Top-10 de aluguéis mais caros no Rio concentra bairros da Zona Sul, mas o Centro aparece no fim da lista
Um levantamento do Secovi Rio indica que, entre os dez bairros da cidade com os aluguéis mais caros, a maior parte está na Zona Sul. Ainda assim, mesmo com a predominância das regiões mais valorizadas, a lista termina com o Centro, que entra no recorte dos locais de aluguel mais alto.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais (Secovi Rio), a composição do ranking revela uma concentração do valor da locação em áreas específicas da capital. No entanto, a presença do Centro no final do top-10 aponta para dinâmicas próprias do mercado local, que podem não estar diretamente associadas apenas à oferta de imóveis.
Entre os fatores associados a essa realidade está o projeto Reviver, da prefeitura. A iniciativa busca ampliar o acesso à moradia na região central por meio da transformação de imóveis comerciais em residenciais, entre outras ações relacionadas ao uso desses espaços.
A proposta, em tese, aumenta a disponibilidade de unidades destinadas à habitação. Ainda assim, o aumento de oferta no Centro não resultou, na prática, em queda proporcional nos valores dos aluguéis. Para explicar o cenário, Marco Freitas, diretor de Condomínio e Locações da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), afirma que o preço não acompanhou a elevação da oferta.
— A oferta aumentou no Centro, mas o preço não diminui porque essa parte da cidade começou a atender a demanda reprimida da Zona Sul e da Barra.
Segundo a leitura apresentada por Freitas, parte da procura que antes se concentrava em áreas como Zona Sul e Barra passou a encontrar opções no Centro, o que ajudaria a sustentar os preços mesmo com a ampliação de moradias na região.
Além da distribuição dos bairros no ranking, o levantamento também destaca a variação recente do valor do metro quadrado para locação. A região central foi apontada como a área com maior oscilação nos últimos dois anos, com crescimento de 59,3%. Na sequência aparece a Zona Norte, com variação de 20,3%, e a Zona Sul, com 19,8%.
O Secovi Rio relaciona parte do aumento dos preços a mudanças na oferta do mercado. Conforme o levantamento, a cidade teve redução de 30,4% nas ofertas de aluguéis tradicionais residenciais nos últimos três anos. Com menos unidades disponíveis, os preços tenderam a subir.
Em junho deste ano, o valor médio do metro quadrado para locação no Rio foi de R$ 56,28. O número representa 18,2% a mais do que no mesmo mês de 2024, quando o metro quadrado custava R$ 47,62.
Os dados reunidos pelo Secovi Rio ajudam a contextualizar por que regiões com maior presença no ranking de preços e localidades específicas, como o Centro, exibem comportamento alinhado a aspectos como demanda, disponibilidade e capacidade de atender procura de diferentes áreas da cidade.
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