Construção civil acelera: lançamentos imobiliários ganham fôlego com novas mudanças
A indústria da construção civil projeta uma retomada nos lançamentos imobiliários ao longo do segundo trimestre de 2026. A expectativa do setor é influenciada pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida, que devem alterar limites e condições do programa habitacional federal e, consequentemente, o ritmo de novos empreendimentos.
De acordo com a leitura do mercado, parte dos lançamentos que estava prevista para o início do ano teria sido adiada para que as incorporadoras e construtoras pudessem se adequar às novas regras. A avaliação foi apresentada nesta segunda-feira, durante a divulgação dos indicadores do mercado imobiliário referentes ao primeiro trimestre, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O economista Celso Petrucci, do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de São Paulo (Secovi-SP), apontou que houve um período de maior cautela entre o fim de março e o começo de abril. Segundo ele, a movimentação ocorreu em razão da adoção dos novos valores de teto do Minha Casa Minha Vida pelos empreendimentos.
“O mercado provavelmente segurou parte dos lançamentos para aproveitar os novos valores de teto do Minha Casa Minha Vida”, afirmou Petrucci.
Na avaliação do especialista, esse represamento temporário tende a refletir em uma maior quantidade de lançamentos entre abril e junho, quando as empresas devem retornar ao planejamento com os novos parâmetros do programa.
Os dados apresentados pela CBIC mostram que, no primeiro trimestre, os lançamentos de imóveis residenciais registraram retração de 4,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Considerando a comparação com os três últimos meses de 2025, a queda foi ainda mais acentuada, chegando a 32,1%.
Apesar do recuo, representantes do setor afirmam que o resultado do trimestre não indica, por si só, uma preocupação imediata. A justificativa recorre ao comportamento típico do mercado, que costuma apresentar sazonalidade: há maior concentração de lançamentos no fim de cada ano, enquanto os primeiros meses do período seguinte tendem a desacelerar.
Dentro desse contexto, incorporadoras e construtoras sustentam que o novo desenho do Minha Casa Minha Vida pode contribuir para estimular a produção de imóveis residenciais, especialmente nas faixas de renda contempladas pelo programa federal.
Além do impacto no volume de projetos, o movimento é visto como parte do papel que o programa habitacional desempenha na dinâmica da construção civil. O segmento, segundo as avaliações do setor, tem influência direta na geração de empregos, no crédito imobiliário e na atividade econômica.
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