Construtora adquire antigo Carrefour na Tijuca e planeja novos empreendimentos no local
Um grande imóvel na parte alta da Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, que ficou desativado desde 2005, vai passar por uma mudança de uso nos próximos meses. O terreno onde funcionou o antigo Carrefour, na região da Usina, foi vendido para a construtora Direcional, que planeja instalar um empreendimento residencial de perfil popular.
De acordo com apuração local, a proposta é erguer um condomínio com 10 blocos e cerca de 600 unidades. O projeto substitui as atividades comerciais que marcaram o local por décadas.
Prédio construído nos anos 1990 e desativação no período de violência
O imóvel foi construído em 1997 pelo Grupo Carrefour. Com aproximadamente 3 mil metros quadrados, o prédio teve o funcionamento encerrado em fevereiro de 2005.
Na época, o encerramento ocorreu em um momento de intensificação da violência no bairro. A região, cercada pelas comunidades do Borel e Indiana, passou a registrar episódios associados à rotina do local, incluindo saques à loja e tiroteios constantes, fatores apontados como decisivos para o desligamento das atividades.
Negociação de venda em 2009 e impasse tributário
Mais de uma década após a construção, o imóvel chegou a entrar em uma nova fase comercial. Em 2009, houve avanço em uma negociação de venda para a Realesis Holding S.A., com valor estimado em R$ 14 milhões.
Apesar do entendimento inicial, a transferência não foi concluída. Segundo o histórico registrado à época, o impasse esteve ligado a um processo judicial envolvendo a Prefeitura do Rio, relacionado à cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Com o tema em discussão na Justiça, a formalização do negócio acabou travada.
Proposta para uso institucional não seguiu adiante
No mesmo período, também foi avaliada uma alternativa de uso do prédio pelo Governo do Estado. A ideia era desapropriar o imóvel para transformá-lo em uma unidade do BOPE.
Essa proposta, no entanto, não avançou. O imóvel seguiu sem uma destinação imediata compatível com sua estrutura, enquanto outras ocorrências relacionadas à área passaram a chamar atenção.
Operação de desocupação e relatos de acessos
Em um episódio de invasão das dependências do antigo supermercado, no ano passado, a Prefeitura do Rio, em conjunto com a Polícia Civil, retirou mais de 100 pessoas do local em uma operação de desocupação.
Relatos atribuídos ao caso indicaram que os acessos utilizados pelos invasores incluíam uma área nos fundos do terreno, que faz limite com a Floresta da Tijuca. A desocupação ocorreu após a identificação da ocupação no imóvel, que permaneceu inativo desde 2005.
Venda para a Direcional
Com a negociação concluída, o terreno passa a ser administrado pela construtora Direcional. A empresa é apontada como responsável por iniciar a implantação do empreendimento residencial anunciado.
A Direcional foi procurada, mas não enviou retorno até o encerramento da apuração.
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