Edifício Mesbla no Centro: duas obras de empreendimentos de luxo em destaque (…)
Grupo CTV assume retrofits e retoma revisão técnica de empreendimentos no Rio
Depois do impasse financeiro que atingiu a Inti Empreendimentos, parte dos projetos paralisados no Rio passou a ter uma nova responsável. O Grupo CTV ficará encarregado do retrofit do antigo Edifício Mesbla, hoje identificado como Ora, no Centro, além de obras em mais dois condomínios na Zona Sul: O Cora, na Rua General Rabelo, na Gávea, e Haus, na Rua Assis Bueno, em Botafogo.
O movimento ocorre após as paralisações em seis endereços na Zona Sul, em meio ao anúncio de falta de recursos feito por um dos sócios da Inti, André Kieffer. Com o cenário, compradores buscaram a Justiça, e alguns adquirentes relataram preocupação com atrasos e condições de rescisão apresentadas pela incorporadora.
De acordo com informações divulgadas, a estratégia do grupo mira R$ 4 bilhões em lançamentos na cidade. O plano para a nova fase inclui a revisão das frentes técnica, jurídica e financeira de cada empreendimento antes da retomada dos canteiros.
Ora, no Centro, foi o principal ativo
Entre os ativos assumidos pelo Grupo CTV, o Ora, situado na Rua do Passeio, aparece como o principal. No ano passado, as unidades do residencial — anteriormente anunciado como Edifício Mesbla — foram vendidas em curto espaço de tempo: 191 apartamentos em menos de um dia.
Essa origem do ativo faz parte do contexto do projeto, que agora seguirá em nova condução. Além do Ora, o grupo também passa a administrar etapas relacionadas a obras nos endereços da Zona Sul mencionados na reportagem.
Créditos e nova etapa de condução dos empreendimentos
Em junho, o grupo XP concluiu a venda dos créditos para a Artesanal Investimentos. A partir dessa reconfiguração, o Grupo CTV assumirá as obras e fará uma revisão completa antes de voltar com as entregas em ritmo regular.
Nesse processo, a empresa informa que os cronogramas de entrega deverão ser atualizados com novas datas. Também será definido quanto capital ficará protegido para cada obra, como parte de uma condução voltada ao controle do avanço dos trabalhos.
Estruturas de crédito apoiam a continuidade
Segundo a construtora, parte da originação financeira para sustentar a etapa de retomada será viabilizada por estruturas de crédito vinculadas à Artesanal Investimentos. A empresa é descrita como gestora com atuação em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
A combinação proposta busca tratar um problema recorrente em ativos estressados. A ideia apresentada é que, mesmo quando o imóvel está em localização relevante e com parte das unidades já comercializadas, pode haver perda de valor se a incorporadora responsável não consegue financiar a continuidade da construção.
Relatos de compradores e repercussão judicial
Um comprador de apartamento no antigo Edifício Mesbla, no Centro, relatou que, após o anúncio de falta de recursos feito pela Inti em abril, passou a ter preocupação com o investimento. No caso da Zona Sul, o quadro descrito foi mais amplo: mais de 70 apartamentos teriam ficado sem entrega no prazo em função da verba insuficiente.
Conforme os relatos reunidos, pelo menos três adquirentes teriam se revoltado com atrasos e com os termos de rescisão apresentados pela Inti. Esses compradores teriam recorrido à Justiça, apontando, entre outros pontos, falta de transparência quanto ao que foi postergado, mudanças frequentes em cronogramas e ausência de retorno às tentativas de contato.
Revisão de orçamentos e gestão do caixa
O CEO do Grupo CTV, Felipe Videira, que assumiu o Ora e os dois empreendimentos na Zona Sul, afirmou que a condução da próxima etapa deve envolver maior rigor na análise dos custos e na gestão financeira.
Em declarações atribuídas a ele, Videira ressaltou que o cenário de juros altos tende a exigir maior disciplina por parte da incorporadora, tanto na compra quanto no orçamento e no controle do caixa. Ele também relacionou a transformação de um ativo estressado em oportunidade ao equilíbrio entre o preço de entrada, o capital necessário para concluir a obra e o potencial de venda.
O executivo afirmou que o objetivo é aplicar essa abordagem para recuperar os projetos assumidos e construir uma carteira voltada ao próximo ciclo do mercado imobiliário.
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