“Luxo em SP: ultrarricos deixam imóveis e sinalizam virada após a crise do alto padrão”
Apesar de o estoque no segmento de alto padrão ter aumentado, o topo do mercado imobiliário em São Paulo mantém tração. O cenário, no entanto, é desigual: enquanto parte das unidades tende a demorar mais para encontrar comprador, os imóveis direcionados aos perfis de patrimônio mais elevado seguem com dinâmica própria, sustentada por fatores como localização, diferenciais de produto e perfil do investidor.
Alto padrão mostra sinais de desaceleração; ultrarricos seguem em ritmo diferente
Levantamentos apontam que o mercado paulistano de alto padrão passa por sinais de estagnação. Na capital, dados citados pelo Secovi-SP indicam que imóveis com mais de quatro dormitórios alcançaram cerca de 26 meses de estoque. No caso de unidades acima de 180 m², o nível chegou a aproximadamente 23 meses. Esse patamar representa o pior desempenho desde 2017.
Mesmo com esse quadro, o segmento voltado a ultrarricos continua mais aquecido. A Forbes menciona que as “Ultra-High-Net-Worth Individuals” — pessoas com patrimônio líquido superior a US$ 30 milhões — somam 713 mil no mundo, número que cresceu 30% em cinco anos. Na leitura do setor, essa base patrimonial ajuda a manter a demanda ativa para imóveis de maior valor.
Fatores que mais pesam na compra acima de valores elevados
Entre os ultrarricos, a decisão de compra tende a depender menos de crédito e mais de condições que se relacionam ao patrimônio e ao tipo de ativo buscado. Segundo fontes do setor ouvidas pela Forbes, imóveis com valores superiores a R$ 10 milhões ou R$ 20 milhões permanecem mais resilientes, sobretudo em regiões como Jardins, Itaim Bibi e Vila Nova Conceição.
Nesses casos, além do preço, pesam atributos como ponto, padrão construtivo, exclusividade do empreendimento e características do produto voltadas a quem procura imóveis que funcionem como ativos de longo prazo.
Preço no topo se desloca, mas a procura não desaparece
O referencial de valores para o segmento de luxo tem mudado com rapidez. Antes de 2020, um metro quadrado na faixa de R$ 30 mil era frequentemente tratado como teto do luxo paulistano. Em anos recentes, incorporadoras passam a citar valores entre R$ 60 mil e R$ 70 mil por m², com registros que podem atingir R$ 80 mil.
Apesar do aumento do preço, a demanda segue presente. Um exemplo citado no material é o Enora Residence, da Lucio Incorporadora, que teve 70% das unidades vendidas em menos de um ano. O empreendimento está associado a um produto acima de R$ 50 mil por m² e com coberturas na faixa de R$ 70 mil por m².
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