Novo luxo imobiliário: não é altura — é bem-estar no dia a dia
Um empreendimento em Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, tem chamado atenção por adotar uma estratégia que reduz o foco exclusivo em potencial construtivo e amplia a prioridade por ambientes com maior integração com a natureza. A iniciativa reúne o arquiteto Leonardo Zanatta, o paisagista Ricardo Cardim e o artista visual Walmor Corrêa em uma proposta que busca reposicionar o que se entende por “boa arquitetura” no mercado imobiliário.
Uma virada no modo de conceber empreendimentos
No cenário imobiliário brasileiro, a disputa por metragem, a verticalização acelerada e a maximização de VGV (valor geral de vendas) deixaram de ser, por si só, garantias de diferenciação. Em meio a um mercado mais saturado, cresce a influência de variáveis como conforto ambiental, experiência de moradia e desempenho ao longo do tempo.
É nesse contexto que o projeto do Athene Garden surge como uma alternativa que procura diminuir o adensamento, revisando o número de unidades e redistribuindo áreas para convivência e contato com o ambiente natural. A proposta é incorporada pela FHaus Empreendimentos e se desenha a partir de um conjunto de decisões arquitetônicas e paisagísticas voltadas à qualidade de vida.
Redução de unidades e abertura de espaço
Segundo a equipe técnica, o empreendimento partiu de um plano original com maior quantidade de unidades residenciais. O projeto do Athene Garden reduziu oito unidades em relação ao desenho inicial e abriu mão de cerca de R$ 50 milhões em potencial construtivo para ampliar áreas de convivência e fortalecer o vínculo com o entorno natural.
Para o arquiteto Leonardo Zanatta, a mudança faz parte de um movimento que exige escolhas que nem sempre são imediatas ou óbvias em etapas de desenvolvimento. “Priorizamos a forma como os espaços se relacionam entre si e com a paisagem, o que levou naturalmente à redução de adensamento e à revisão do número de unidades”, explica.
Paisagem, conforto e qualidade ambiental como base do projeto
O projeto também destaca elementos ligados a conforto e eficiência ambiental, incluindo biofilia, conforto térmico e acústico, ventilação natural e qualidade do ar. A proposta reúne essas variáveis como critérios centrais para orientar as decisões de concepção.
Na leitura apresentada pela equipe, trata-se de um reposicionamento que vai além de um discurso de “conceito” e se materializa em mudanças concretas no desenho final do empreendimento, com impactos diretos na configuração dos espaços e na forma de ocupação do terreno.
Integração entre arquitetura, paisagem e arte
Além do desenho arquitetônico, o Athene Garden incorpora a participação do paisagista Ricardo Cardim, referência nacional em biodiversidade urbana. A experiência do projeto também se conecta ao trabalho do artista visual Walmor Corrêa, cuja produção transita entre arte, ciência e imaginário popular.
No empreendimento, Corrêa desenvolve a obra Refúgio, uma escultura em bronze que apresenta um casal de corujas-buraqueiras sobre base de pedra natural. O processo, de acordo com o que foi descrito, parte de observação do terreno: as aves foram identificadas durante as primeiras visitas ao local.
Identidade do lugar inspirada na presença das aves
A presença das corujas-buraqueiras também influencia o próprio nome do empreendimento. O Athene Garden foi inspirado em Atena, deusa grega associada à sabedoria e tradicionalmente representada pela coruja como símbolo de visão e proteção.
“Quando conheci a história das corujas e a forma como elas foram incorporadas à identidade do lugar, percebi que existia ali algo raro: um interesse genuíno em compreender e respeitar aquilo que já fazia parte da paisagem. A obra procura traduzir essa ideia de pertencimento, proteção e convivência entre natureza e presença humana”, afirma Walmor Corrêa.
Objetivos de certificação e ecossistema preservado
O projeto informa buscar certificações internacionais LEED e WELL em nível Platinum. Além disso, pretende ser o primeiro empreendimento da região a incorporar os selos Biodiversidade Nativa e Floresta de Bolso®.
O Athene Garden está inserido em um ecossistema de mais de 400 mil m² de Mata Atlântica preservada, dentro do bairro planejado Colinas de Camboriú. A área fica às margens da BR-101 e, conforme a descrição divulgada, a cerca de cinco minutos do centro de Balneário.
Entre o mercado e a permanência do valor
A proposta apresentada pela direção da FHaus sustenta que o diferencial ocorre quando decisões de projeto se transformam em escolhas verificáveis na obra. A avaliação é que o mercado tende a valorizar, de forma crescente, desempenho ambiental, qualidade de vida e a ideia de permanência do ativo ao longo do tempo.
“O discurso sobre conceito é amplamente difundido. O diferencial real está quando ele se transforma em decisão concreta. No nosso caso, isso significou abrir mão de unidades e aceitar que qualidade precisa ser construída, não apenas declarada”, afirma a direção da FHaus.
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