Por que o metro quadrado dos imóveis subiu quase 70% em apenas 1 ano?
O mercado de imóveis novos no Rio de Janeiro registrou forte valorização nos últimos 12 meses. Levantamento do ILI DataZAP, na primeira edição do Radar da Construção, aponta que os preços dispararam quase 70% em um ano, representando a maior alta entre as regiões acompanhadas pelo índice. O resultado reforça a retomada do segmento residencial na capital fluminense.
Segundo dados apresentados pelo InfoMoney, o valor dos lançamentos na cidade chegou a R$ 12.849,63 por metro quadrado, com crescimento de 68,51% no acumulado dos 12 meses encerrados em março de 2026. No mesmo período, o avanço ficou acima da variação média do país, que foi de 10,06%. Também superou o ritmo da inflação da construção medida pelo INCC, que registrou 6,17% no intervalo.
Novo Plano Diretor, compactos e turismo: fatores por trás da alta
Especialistas associam a valorização a um conjunto de mudanças no ambiente urbano e à reconfiguração do perfil dos lançamentos. Entre os elementos citados estão alterações na legislação urbana, o retorno de empreendimentos que antes encontravam entraves, o crescimento da oferta de imóveis compactos e a maior circulação de compradores estrangeiros em áreas de padrão mais alto. O aquecimento do turismo também aparece como um componente relevante para a dinâmica do mercado.
Leonardo Mesquita, vice-presidente de Negócios da Cury Construtora e presidente da Ademi-RJ, afirma que parte do movimento pode ser vinculada diretamente a mudanças regulatórias implementadas ao longo dos últimos anos. Ele destaca marcos como o Código de Obras, de 2019, o programa Reviver Centro, sancionado em 2021, e o novo Plano Diretor, aprovado no fim de 2024. De acordo com Mesquita, essas medidas ampliaram possibilidades de desenvolvimento imobiliário em diferentes áreas da cidade.
Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) para a Região Sudeste e diretor da Firjan, acrescenta que as mudanças contribuíram para reduzir uma perda de competitividade acumulada ao longo do tempo. Segundo ele, embora o Rio já tenha ocupado a posição de segundo maior mercado imobiliário do país, passou a enfrentar perda de espaço enquanto outras capitais avançavam.
Mudança no mix de produtos eleva o preço médio
Além do contexto regulatório, o comportamento do preço médio do metro quadrado também é influenciado pelo novo perfil dos lançamentos. Tradicionalmente, o mercado carioca esteve mais concentrado em apartamentos de dois e três quartos. Com a expansão dos imóveis compactos, o preço médio passa a refletir um mix de produtos que tende a apresentar maior valorização.
Nos bairros mais valorizados da Zona Sul, como Ipanema e Leblon, os imóveis compactos podem chegar a R$ 2 milhões. Nesses locais, Hermolin aponta que cerca de 30% dos compradores desse segmento são estrangeiros. Já em áreas como o Centro e a Zona Norte, o retrato muda: nesses mercados, é possível encontrar compactos na faixa de R$ 450 mil ou menos.
Turismo em alta amplia demanda e visibilidade para a cidade
O avanço do setor também é associado ao desempenho do turismo. Em 2025, o Rio de Janeiro recebeu 12,5 milhões de turistas, volume 10,5% superior ao registrado em 2024. Do total, 10,5 milhões (83,1%) eram visitantes nacionais e 2,1 milhões (16,9%) eram estrangeiros. Mesmo representando a menor parcela, os turistas internacionais tiveram crescimento de 44,8% em relação ao ano anterior.
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