Retrofit em São Paulo: reforma bem executada pode mais que dobrar o valor dos imóveis
Reformas em coberturas e em edifícios antigos têm impulsionado o mercado imobiliário na região central de São Paulo, com efeitos diretos sobre os preços e a liquidez dos imóveis. Em um cenário de retomada urbana, projetos de retrofit vêm sendo associados à valorização patrimonial e ao aumento do interesse de investidores por áreas que passam por requalificação.
Retrofit e valorização em bairros centrais
Levantamentos citados em reportagem apontam que iniciativas de retrofit podem resultar em ganhos superiores a 120% no valor de imóveis em São Paulo. A lógica por trás desse movimento é a requalificação de estruturas antigas, com modernização de acabamentos, atualização de layouts e melhorias que tornam os empreendimentos mais competitivos na venda e no uso cotidiano.
Dados atribuídos à Dupllex, empresa especializada em coberturas, indicam valorização média na faixa de 120% a 130% em relação ao preço de compra. O cofundador Gustavo Saraiva relatou que, em casos em que o imóvel fica parado por anos, a venda tende a ocorrer ainda durante o andamento das obras, com resultados concentrados nos primeiros meses após a reforma.
Um exemplo mencionado envolve uma cobertura na Rua Haddock Lobo, com 338 metros quadrados. O imóvel, que possui três suítes e duas vagas, foi vendido por R$ 10,08 milhões, o que representa cerca de R$ 29,8 mil por metro quadrado.
Centro de São Paulo: mais velocidade nas vendas
Além das coberturas, a requalificação de edifícios no Centro também aparece associada à maior rotatividade do estoque. Em empreendimento retrofitado pela Somauma, 97% das unidades teriam sido vendidas, segundo o que foi divulgado no material.
Nesse caso, os apartamentos foram lançados por valores na ordem de R$ 11 mil por metro quadrado, enquanto as revendas superariam a faixa de R$ 16 mil. Na prática, o dado reforça a ideia de que a modernização do patrimônio pode elevar a atratividade comercial do imóvel em comparação com lançamentos originais.
Valorização desde 2021 e efeito do marco regulatório
O desempenho do Centro, segundo informações citadas a partir de dados da Dataland, se destaca entre as regiões observadas desde 2021. A variação acumulada indicada é de 67,4%, com aumento do preço médio de cerca de R$ 10 mil para mais de R$ 16,8 mil por metro quadrado no segundo trimestre.
Parte do ambiente favorável é atribuída ao Programa Requalifica Centro. Criado pela Lei nº 17.577 e regulamentado em 2022, o programa busca simplificar licenciamentos, flexibilizar regras urbanísticas e permitir mudanças de uso. Para o mercado, a proposta é relevante por lidar com etapas que, em muitos projetos, elevam custos e dificultam a viabilização, especialmente quando o acesso a crédito é mais restrito.
Com isso, reformas e requalificações ganham espaço como estratégia para transformar edifícios antigos em opções mais alinhadas às expectativas atuais de moradia e investimento, contribuindo para uma dinâmica de venda mais ativa em áreas historicamente valorizadas da capital paulista.
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