Shoppings apostam em minibairros para atrair moradores e aumentar o fluxo de clientes
Empresas de shopping centers no Brasil vêm adotando uma rota de expansão que vai além dos limites dos empreendimentos. Em vez de apostar exclusivamente em novas unidades, grupos como Allos, Multiplan, Iguatemi e outros têm buscado terrenos no entorno de centros comerciais para desenvolver projetos residenciais, corporativos e de serviços. A estratégia aparece em reportagem do Estadão e tem como objetivo ampliar o fluxo diário e fortalecer a receita ligada aos lojistas.
Público ainda não voltou ao patamar pré-pandemia
Parte do movimento é atribuída à restrição de lançamentos de novos shoppings e ao ritmo de recuperação das visitas. Dados citados pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) mostram que o fluxo mensal caiu de 502 milhões de visitantes em 2019 para 341 milhões em 2020. Em seguida, houve recuperação para 476 milhões no ano passado, sem retornar ao nível anterior.
Esse cenário ajuda a explicar por que as empresas têm procurado alternativas para manter a movimentação dos seus complexos. Além disso, mudanças de comportamento e tendências como o crescimento do comércio eletrônico e a maior presença do home office reforçam a necessidade de criar rotinas de circulação mais frequentes.
Allos e Iguatemi intensificam projetos em Campinas
No interior de São Paulo, Allos e Iguatemi estão entre os grupos que planejam desenvolvimentos no entorno de operações já existentes. A Allos anunciou 17 edifícios associados ao Shopping Parque D. Pedro, em Campinas. Segundo o plano, os lançamentos devem ocorrer ao longo de 10 a 15 anos, com VGV estimado em R$ 4,5 bilhões. A empresa estima atração de cerca de 30 mil pessoas por dia.
O projeto faz parte de uma atuação mais ampla do grupo: a Allos afirma ter 72 contratos para prédios ao lado de 13 unidades no país.
Também em Campinas, o Iguatemi lançou o Casa Figueira, um loteamento com área de um milhão de metros quadrados. O plano prevê a construção de 100 edifícios ao longo de 20 anos, com expectativa de R$ 10 bilhões em vendas.
Estratégia combina moradia, trabalho e serviços no entorno
O desenho dos novos empreendimentos costuma seguir o conceito de “uso misto”. A proposta é reunir diferentes tipos de ocupação ao redor dos shoppings — desde moradias e escritórios até hotéis, centros médicos, faculdades e serviços. Com isso, a área tende a funcionar como um polo de atividades ao longo do dia, em vez de depender apenas das visitas concentradas em determinados períodos.
De acordo com o levantamento citado, Allos, Multiplan e Iguatemi somam participação em 83 unidades, e a ênfase desses projetos tem relação direta com a tentativa de aumentar o fluxo que circula pelos empreendimentos.
Modelo busca reduzir capital e aumentar conveniência
Para viabilizar esse tipo de expansão, as companhias frequentemente estruturam parcerias com incorporadoras. Em geral, o modelo envolve o uso de terrenos no entorno dos shoppings por meio de acordos, com retorno atrelado a uma fração das vendas. Na prática, isso permite que os grupos preservem capital para continuar investindo em seus próprios ativos.
A Multiplan, por exemplo, também atua como incorporadora e fechou contratos para projetos no entorno de unidades localizadas no Rio de Janeiro (RJ) e em Canoas (RS).
Além delas, há outras iniciativas no mesmo eixo. O Grupo Baumgart, por sua vez, prepara um bairro ao redor do Center Norte e do Lar Center, na cidade de São Paulo (SP). O plano inclui torres residenciais e a construção de uma arena com capacidade para 20 mil pessoas.
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