Ações de Construtoras Disparam: Lançamentos Avançam 10% e Reacendem o Otimismo do Setor
O Radar da Construção indica que os lançamentos imobiliários subiram acima do INCC no período analisado, mas ressalta que custos, demanda e crédito seguem com desempenho desigual entre mercados. Com isso, o movimento de preços não se apresenta como uma alta uniforme: varia conforme região e características do produto.
Segundo o levantamento divulgado em reportagem do InfoMoney, os lançamentos ficaram 10,06% mais caros em 12 meses. No mesmo intervalo, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 6,17%, sugerindo que parte da pressão de custos foi incorporada aos preços finais.
Reajuste acima do INCC e preservação de margens
Na leitura do resultado, a alta acima da variação do INCC aponta para um cenário em que incorporadoras e construtoras teriam conseguido transferir parte da pressão de custos para o valor cobrado nas unidades lançadas.
Esse repasse ocorre em um contexto em que o setor ainda lida com juros elevados e com o encarecimento do capital. Ao conseguir repassar parte do aumento dos custos ao preço de venda, as empresas tendem a reduzir a perda de rentabilidade, ainda que o ambiente permaneça desafiador.
Valorização não é igual em todos os mercados
O desempenho dos lançamentos varia de forma significativa entre as praças acompanhadas. De acordo com os dados do ILI DataZAP, o Rio de Janeiro liderou a valorização: foram 68,51% no período, com preço médio de R$ 19.445 por metro quadrado.
Outras regiões também registraram ganhos expressivos, como Fortaleza, que avançou 52,73%, e Florianópolis, com alta de 26,13%.
Já em São Paulo, o cenário foi diferente: os preços ficaram praticamente estáveis, indicando que o ciclo de preços não se comporta de maneira homogênea.
Esse tipo de dispersão reforça que não é possível interpretar o momento como uma expansão generalizada. Fatores como tipo de produto, localização, renda do comprador e profundidade da demanda tendem a definir o espaço de negociação e o poder de preço em cada mercado.
O custo médio pode esconder pressões pontuais
O estudo também chama atenção para um ponto relevante de gestão: tratar o custo da obra como se ele se comportasse como uma inflação média pode levar a leituras incompletas.
Segundo o relatório, a pressão sobre custos varia conforme o insumo, a etapa da obra, a região e o momento de compra. Por isso, um índice agregado pode não captar com precisão onde estão os maiores impactos.
Em 12 meses encerrados em maio, alguns itens mostram trajetórias distintas. O fio de cobre subiu 30,72%, enquanto o cimento avançou 14,96%. Em sentido contrário, aço e argamassa recuaram, com quedas de 0,63% e 2,30%, respectivamente.
Essas diferenças ajudam a explicar por que acompanhar apenas um indicador geral pode subdimensionar riscos específicos. Em determinadas fases do cronograma e em obras mais sensíveis a certos insumos, o impacto pode ser maior do que o sugerido por uma média.
Demanda existe, mas fechar a compra ainda é um desafio
Embora haja interesse por imóveis, o desafio para o mercado é converter essa procura em contratos. O Anuário DataZAP indica que a maior parte do público ainda está em etapas iniciais do processo de decisão.
O levantamento aponta que 82% dos interessados se encontram na fase de descoberta ou em busca ativa, 11% estão em negociação e apenas 6% se aproximam de concluir a compra.
Outro fator mencionado é a preferência do consumidor por alternativas prontas: 91% dos consumidores consideram imóveis usados, enquanto somente 16% avaliam unidades na planta. Para que o novo consiga vender com prêmio de preço, incorporadoras tendem a precisar sustentar a proposta com elementos como localização, projeto, tecnologia, liquidez ou potencial de valorização.
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