Imóveis sobem e juros caem: veja como o corte mais recente da Selic impacta o mercado imobiliário
A redução mais recente da Selic, taxa básica de juros, trouxe uma mudança considerada positiva por entidades do setor, mas não foi suficiente para alterar de forma relevante o quadro de restrição ao crédito imobiliário. A taxa passou de 14,25% ao ano para 14%, segundo o cenário citado por associações e lideranças ligadas ao mercado habitacional, que apontam a necessidade de cortes mais rápidos para reduzir os custos enfrentados por famílias e agentes econômicos.
A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras) avaliou que a decisão ajuda, porém defende uma aceleração no ritmo de queda. Para a entidade, a manutenção de juros ainda elevados por tempo prolongado mantém a política monetária em nível restritivo, dificultando tanto a tomada de crédito quanto a formação de um ambiente favorável a investimentos.
Selic menor, mas ainda com impacto no crédito
Luiz França, presidente da Abrainc, afirmou que a expectativa do setor é avançar para um ciclo de redução mais consistente e em velocidade maior. Ele relaciona os juros elevados a efeitos práticos como a redução da atratividade de novos investimentos, o adiamento de projetos e o encarecimento do financiamento.
Segundo França, o mercado produtivo depende de crédito de longo prazo e, por isso, uma descompressão mais acelerada da política monetária poderia contribuir para aliviar o orçamento das famílias e destravar investimentos que estariam aguardando condições melhores. O presidente da Abrainc também vinculou a aceleração dos cortes a um cenário de maior dinamismo econômico, com potencial aumento de empregos e fortalecimento do crescimento.
Entidades do setor pedem continuidade do corte
Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), concordou com o conteúdo do movimento, ao tratá-lo como um sinal positivo para o que o setor produtivo espera. Ainda assim, destacou que os juros seguem em patamar considerado alto e continua sendo um entrave ao crescimento.
De acordo com Mesquita, o custo do crédito afeta diretamente decisões ligadas a investimentos, lançamentos e à capacidade de compra das famílias. A leitura do dirigente é que, com a continuidade do processo de queda da Selic, o cenário de negócios tende a se tornar mais favorável, estimulando novos empreendimentos e contribuindo para a geração de empregos e para o desenvolvimento econômico.
Menor taxa influencia decisões de compra
Na avaliação de Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio (Sindicato da Habitação), as condições de financiamento têm peso relevante nas vendas, especialmente quando as parcelas futuras ficam menos onerosas para o comprador. Schneider ressaltou que a queda de 0,25 ponto percentual está aquém do ideal, mas classificou como importante a manutenção da trajetória na mesma direção.
Para ele, o ponto central é que o movimento represente, de fato, um recomeço para a retomada de confiança por parte dos compradores. A expectativa é que, ao ter maior capacidade de honrar compromissos financeiros, o consumidor se sinta mais seguro para avançar. Ao mesmo tempo, Schneider apontou que instituições bancárias, públicas ou privadas, também podem ajustar suas taxas com base na confiança crescente em um ambiente de juros menores.
Gradualidade pode fortalecer demanda
Beny Chor, diretor da Niewview Incorporações, também mencionou que a redução ocorre em ritmo gradual, mas defendeu que a continuidade do ciclo tende a produzir efeitos relevantes. Na visão do executivo, a tendência é de fortalecimento da confiança de consumidores e investidores, ampliação do acesso ao crédito e incentivo a novos investimentos.
Chor associou esse quadro a um efeito direto sobre a demanda por moradia, a facilitação do financiamento da casa própria e a perspectiva de impulsionar a geração de empregos. O diretor vinculou esses resultados ao desempenho mais favorável da economia em um cenário de juros em queda.
Com diferentes leituras entre associações e lideranças do setor, há um ponto de convergência: a decisão mais recente é vista como passo positivo, porém insuficiente para mudar sozinho o cenário de restrição ao crédito imobiliário. As entidades destacam que a trajetória e a velocidade dos cortes nos juros seguem como elementos decisivos para influenciar custos, planejamento de investimentos e condições de compra no mercado habitacional.
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