Novas regras do “Minha Casa, Minha Vida” movimentam o mercado imobiliário e abrem oportunidades para compradores
As mudanças recentes no programa “Minha Casa, Minha Vida” colocaram o setor imobiliário brasileiro em um novo ciclo de expectativas. As alterações ampliam as faixas de renda contempladas e aumentam o teto de valor dos imóveis, criando condições para que parte da classe média volte a ter acesso com mais facilidade ao financiamento habitacional.
De acordo com reportagem exibida pelo Band Paulista em 03/06, o ajuste no programa deve movimentar o mercado ao oferecer condições consideradas mais atrativas. A avaliação é que o cenário passa a contemplar famílias que antes ficavam fora do enquadramento esperado, especialmente quando a renda ultrapassava limites estabelecidos anteriormente.
Enquadramento ampliado e demanda reprimida
Para a Secovi-SP, as novas diretrizes são vistas como um passo relevante para destravar a demanda que ficou represada. Bruno Pegorin Netto, diretor da Regional Secovi-SP em Bauru, afirma que o redesenho corrige distorções que afastavam famílias com rendas um pouco superiores do acesso aos benefícios.
“Com a alteração do programa, a gente vinha olhando, algumas famílias ficavam desenquadradas daquilo que era esperado anteriormente”, explica Netto. Na leitura dele, o alcance ampliado representa impacto direto no acesso ao financiamento dentro do programa.
Segundo o diretor, a mudança amplia o teto de renda familiar atendida e também o valor máximo do imóvel financiável dentro do programa: “hoje, quando eu somo a renda familiar até R$ 13.000, ele consegue buscar um imóvel de até R$ 600.000. Então, isso não era previsto e ficou contemplados nessa alteração do programa”.
Juros e condições de pagamento
Além do aumento do poder de compra, a Secovi-SP destaca que um efeito importante das mudanças está ligado à redução da carga de juros ao longo do tempo. Victor Botelho, gerente regional da Caixa Econômica Federal (CEF), aponta que as condições oferecidas pelo programa podem resultar em parcelas menores, combinadas com taxas mais adequadas durante a vigência do financiamento.
“Eu tenho uma, além da parcela menor, eu tenho uma taxa de juros ao longo do tempo, menor do que a praticada”, afirma Botelho. Na sequência, ele relaciona a vantagem do programa não apenas ao valor mensal, mas também à possibilidade de ampliar escolhas de compra.
“Ele consegue buscar um imóvel, eventualmente, maior ou uma, uma localização que para ele era mais favorável”, acrescenta.
Bauru: programa como referência nas vendas
Em Bauru, a participação do “Minha Casa, Minha Vida” no mercado local já aparece, segundo a entidade, como parte central do volume de negócios. Dados reunidos pela Regional do Secovi-SP indicam que o programa foi determinante para a atividade imobiliária na região.
Entre janeiro e setembro, 83% dos imóveis vendidos no período se enquadravam no programa “Minha Casa, Minha Vida”. Diante desse quadro, as construtoras passam a reorganizar a oferta para atender ao público que volta a se enquadrar com mais facilidade.
Bruno Pegorin Netto aponta a adaptação do mercado local: “estamos fazendo a movimentação desses produtos, trazendo de oferta para esses clientes”.
Ajustes de oferta na Caixa
Do lado da instituição financeira, a mudança também tem impacto sobre como os produtos são oferecidos ao consumidor. Victor Botelho explica que, em certos casos, empreendimentos já estavam lançados em fase de construção e, antes do ajuste, parte dos compradores não se enquadrava no programa.
“Nós tínhamos produtos já lançados em fase de construção, que esse cliente, ele não se enquadrava, ele estava se enquadrando dentro do SBPE, que tinha uma taxa de juros mais alta”, relata Botelho.
Agora, o foco é adequar as ofertas para o novo perfil de demanda, o que inclui a mobilização de produtos para atender o público que passa a ter condições mais favoráveis dentro do programa. Ele também menciona a reorganização de produtos prontos para melhor encaixe nas taxas associadas ao cenário atual.
“Estamos fazendo a movimentação desses produtos, trazendo de oferta para esses clientes”, diz Botelho, citando ainda o re-enquadramento de itens para essa nova composição de juros.
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