Porto Maravilha: 16 anos após a demolição da Perimetral, veja o que o projeto promete para a revitalização da região

No Porto Maravilha, Zona Portuária do Rio, a mudança na rotina de quem escolheu morar na região aparece nos detalhes do dia a dia. A professora Suziane Soares, 42 anos, relata que, após se mudar para o bairro há pouco mais de um mês, passou a sentir mais equilíbrio por estar mais perto do que costuma precisar. Entre a paisagem da Baía de Guanabara, a oferta de museus e centros culturais e a praticidade cotidiana, ela também destacou um ganho concreto: reduziu a distância do trajeto sem abrir mão de uma rotina de trabalho que já exigia deslocamentos entre cidades.

Ela trabalha em Nova Iguaçu e em Niterói, e afirma que, com a nova localização, encontrou alternativas que diminuem a necessidade do carro. Segundo Suziane, a proximidade do transporte público na área pesou na decisão. “Estou me interessando cada vez mais pelo transporte público. Trabalho em Niterói, e o ônibus passa muito perto daqui. Estou pensando em abrir mão do carro. Para Nova Iguaçu posso ir de trem. Já estou usando o VLT e vou utilizar cada vez menos o carro”, conta.

O interesse pelo bairro também é acompanhado por números apresentados por representantes ligados ao projeto Porto Maravilha ao longo dos anos. De acordo com o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Carlo Caiado (PSD), a transformação na região tem relação direta com o crescimento habitacional e com investimentos que remodelaram o entorno após a demolição do Elevado da Perimetral.

Expansão de moradias e novos moradores ao longo dos anos

Na avaliação de Caiado, o projeto reconfigurou a cidade em múltiplos aspectos, mas a ampliação de unidades habitacionais se destaca. Ele afirma que, em 16 anos, a região passou a concentrar mais de 15 mil unidades, com cerca de 90% já vendidas, contribuindo para atrair moradores e para acelerar a revitalização de uma área histórica do Rio.

Caiado também ressalta que a presença de novos residentes tende a influenciar a dinâmica urbana do bairro. Ao mesmo tempo, lembra que a expectativa do projeto não se limita ao ciclo de empreendimentos residenciais, apontando metas de ocupação populacional e continuidade de entregas ao longo do tempo.

“A expectativa é que o Porto receba 45 mil novos moradores até 2029, com a meta de chegar a 100 mil unidades habitacionais até 2064, abrigando cerca de 250 mil pessoas. O projeto também entregou equipamentos que viraram símbolos da cidade, como o Museu do Amanhã, o Boulevard Olímpico e a roda-gigante Yup Star, além de ampliar a mobilidade com o VLT”, afirma.

Ele menciona ainda iniciativas que conectam a região a setores de inovação e desenvolvimento econômico, citando, entre outros exemplos, a continuidade de ações associadas ao Porto Maravalley. A proposta, segundo o presidente, é sustentar a evolução do projeto para além do componente residencial.

Equipamentos culturais e avanços no ambiente de negócios

Para além das obras e da ocupação habitacional, dirigentes do setor público e de segmentos econômicos também apontam o avanço de equipamentos culturais e o fortalecimento de atividades relacionadas a serviços e eventos.

O subsecretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Rio, Marcel Grillo Balassiano, afirma que houve crescimento em empresas da área e no número de trabalhadores no entorno do Porto. Ele também cita o retorno de eventos ao calendário da cidade, como o Rio Fashion Week, que teria retomado suas atividades após dez anos.

“Os avanços foram enormes em vários setores. Já há crescimento de 20% em empresas na área do Porto e 40% no número de trabalhadores. A parte de serviços também está ficando fortalecida, inclusive por causa dos eventos”, declara.

Em complemento, o presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, destaca que a segurança influencia o ritmo de desenvolvimento do bairro. Segundo ele, o Porto Maravilha já nasceu com monitoramento por câmeras e a tendência é que a ocupação do território contribua para ampliar ainda mais a proteção.

“O bairro já nasceu com 80 câmeras instaladas, e a segurança virá cada vez mais pela ocupação. No urbanismo moderno, o adensamento é uma das maiores formas de proteção”, explica.

Mesquita também é CEO da Cury Construtora e comenta o desempenho do mercado na região, apontando mudanças visíveis em comparação ao que havia antes das transformações urbanas.

Melhorias urbanas detalhadas e infraestrutura do bairro

Um dos pontos frequentemente citados como diferencial é a infraestrutura urbana planejada para receber moradores e atividades com mais estrutura instalada. Mesquita argumenta que poucos bairros do Rio têm a fiação enterrada, característica que ele atribui ao Porto Maravilha.

“Isso causa uma melhoria urbana, uma qualidade que a gente enxerga em poucos lugares do Rio. A localização é insuperável. Perto do Centro, do aeroporto, da rodoviária. O transporte é uma coisa que você vê em em poucos lugares do Brasil”, afirma.

Para ele, o conjunto de localização e estrutura reduz entraves do cotidiano e facilita a adaptação de quem chega ao bairro. Além disso, Mesquita sinaliza que a região ainda tem espaço para crescimento, tanto em lançamentos quanto em entregas.

O dirigente afirma que há volume expressivo de unidades colocadas no mercado pela construtora que lidera e que o ritmo de vendas e entregas ajudaria a consolidar a transformação da área.

“Hoje temos 16 mil unidades lançadas apenas pela Cury, volume de vendas na casa de 90%. Mais de duas mil unidades entregues. Quem vai hoje ao Porto Maravilha não reconhece o que vê, comparando com o que era antes”, finaliza.

Continuidade de planejamento e projetos vinculados à região

Na leitura de Caiado, o Porto Maravilha deve seguir como referência para novos projetos, com aperfeiçoamentos contínuos. Ele menciona, como exemplo, iniciativas em tramitação no Legislativo municipal, destacando um programa chamado Praça Onze Maravilha.

O objetivo descrito é ampliar moradias, fazer melhorias no trânsito, prever a derrubada do Elevado 31 de Março e criar novos espaços culturais e de lazer integrados ao Sambódromo.

“O projeto reaproveita ideias que deram certo no Porto, como a destinação mínima de 3% dos recursos arrecadados na operação para preservação do patrimônio histórico, mas traz, por exemplo, um modelo diferente de captação de recursos, com investimentos feitos de forma gradual conforme o avanço do projeto e a valorização da região”, afirma Caiado.

Enquanto Suziane ajusta seu cotidiano às opções de deslocamento mais próximas, o cenário apresentado por gestores e representantes do setor aponta para um bairro em consolidação — com expansão habitacional, reforço de atividades econômicas e mudanças urbanas que, na avaliação dos entrevistados, ajudam a sustentar a transformação da área portuária do Rio.

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