Aluguel no Rio: alta impulsionada por oferta 31,8% menor e força da temporada
O mercado de locação tradicional no Rio de Janeiro passou por um aperto entre 2023 e 2026, segundo levantamento do Secovi Rio divulgado pelo G1. A oferta de imóveis destinados a contratos de aluguel convencional caiu 31,8% no período. Com menos unidades disponíveis, a busca por moradias tende a ficar mais concorrida, ampliando o tempo necessário para encontrar opções e pressionando preços em diferentes regiões.
Esse cenário se reflete com especial intensidade nos contratos que estão sendo fechados agora. Para quem tenta entrar no mercado, a negociação ocorre em um contexto de oferta reduzida, o que altera a dinâmica de escolha e estabelece maior disputa entre interessados. Já em contratos já vigentes, os reajustes seguem as regras previstas na assinatura inicial, sem mudanças automáticas determinadas apenas por essa menor disponibilidade.
Turismo e juros influenciam a disputa por imóveis
Entre os fatores apontados para a alta do aluguel no período está a combinação de juros mais elevados, dificuldade para aquisição de moradia e aumento da procura por locações por temporada. Esse conjunto contribui para que parte do estoque imobiliário seja direcionada a usos de curto prazo, sobretudo em áreas com apelo turístico.
Em 2025, o Rio registrou 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de turistas estrangeiros, conforme dados divulgados pela Prefeitura. Com um fluxo relevante de visitantes, proprietários tendem a avaliar a rentabilidade de curto prazo em regiões em que a demanda por hospedagem é mais constante.
Na prática, a migração de unidades para locação por temporada reduz o volume que poderia atender contratos de longo prazo. A pressão tende a aparecer com mais força na Zona Sul, onde a procura ligada ao turismo é historicamente mais elevada e onde a escassez de imóveis tradicionais pode repercutir diretamente nos valores cobrados.
Leblon lidera os preços no aluguel
De acordo com o levantamento do Data Secovi, o Leblon aparece como o bairro com o metro quadrado mais caro para locação na capital. O valor registrado foi de R$ 129,10. Na sequência, estão Ipanema, com R$ 124,97, e também Lagoa, com R$ 89,64.
O estudo ainda lista Jardim Botânico, com R$ 82,20, e Barra da Tijuca, com R$ 82,06, entre os valores mais altos. Entre os dez bairros mais caros para alugar, oito ficam na Zona Sul, indicando que a pressão de preços acompanha principalmente essa faixa territorial da cidade.
No recorte de vendas, o bairro mais valorizado também é o Leblon. O preço do metro quadrado na venda foi de R$ 26.017. Ipanema aparece em seguida, com R$ 24.596, enquanto Gávea, Lagoa e Jardim Botânico completam a lista dos bairros citados com valores mais elevados.
Centro tem a maior alta em 12 meses
Enquanto alguns bairros da Zona Sul seguem no topo do ranking de preços, a maior alta do aluguel em doze meses ocorreu no Centro. O bairro apresentou crescimento de 34,9% no período, seguido por Jardim Botânico, com 31,7%, Lagoa, com 26,1%, e Botafogo, com 21,9%.
Além desses, o levantamento menciona outros bairros que também figuram entre os dez maiores avanços, como Vila Isabel, Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca, Taquara e Flamengo.
O contraste entre aluguel e venda também chama atenção. No mesmo recorte, os aluguéis mostram aceleração mais perceptível, enquanto a valorização na compra não apresenta comportamento uniforme. Conforme o dado apresentado, apenas cinco bairros tiveram valorização de venda acima do IPCA de 4,64% no período analisado.
Esse resultado sugere que a pressão observada no aluguel está mais associada ao desequilíbrio entre demanda e oferta de imóveis voltados à locação do que a uma valorização generalizada dos imóveis em todos os bairros.
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