Financiamento Habitacional, Reforma Tributária e Jornada 6×1: O que está na Rodada de (…)
Rodada de Negócios do Mercado Imobiliário debate reforma tributária, financiamento e redução da jornada
Perspectivas para a habitação e para o financiamento imobiliário no Brasil, além de temas como reforma tributária e a proposta de redução da jornada de trabalho, pautaram a Rodada de Negócios do Mercado Imobiliário, promovida pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O encontro ocorreu nesta quarta-feira (10), na sede da entidade, em Brasília, e reuniu empresários, dirigentes do setor e especialistas para discutir desafios e oportunidades do segmento.
Na abertura, o presidente da CBIC, Renato Correia, situou o debate como um passo importante para o mercado em um período de incertezas. Ele afirmou que a reunião ganha relevância diante dos “desafios no mercado à beira das eleições”, ressaltando a necessidade de tratar questões estruturais em um momento de maior atenção ao cenário político e econômico.
O presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, também enfatizou a urgência de antecipar discussões que afetem o setor. Segundo ele, o ano de 2027 tende a ser particularmente complexo, com a possibilidade de agravamento do quadro fiscal associado à reforma tributária. Nesse contexto, a avaliação foi de que o planejamento precisa considerar os efeitos da mudança com antecedência.
Reforma tributária: necessidade de preparação e acompanhamento
Um dos principais blocos do encontro tratou dos impactos da regulamentação da reforma tributária sobre a construção. Ely Wertheim, vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC e presidente executivo do Secovi-SP, afirmou que o setor precisa se organizar desde já para lidar com as alterações previstas. Para ele, a adaptação exigirá investimentos, tempo e esforço jurídico, com a finalidade de reduzir riscos e “conter danos”.
Rodrigo Dias, membro dos Conselhos Jurídicos do SindusCon-SP e do Secovi-SP, complementou que o tema demandará envolvimento constante das entidades representativas. O ponto, na avaliação apresentada, é que a discussão não se limita ao curto prazo: a reforma tende a gerar impactos ao longo de anos, exigindo uma agenda própria para tratar da complexidade e de como as mudanças se conectam às rotinas do setor.
Financiamento habitacional e atenção à classe média
O financiamento habitacional também esteve no centro do debate. Luis Fernando Mendes, economista e assessor técnico especializado das comissões CII e CHIS da CBIC, apresentou um panorama do mercado e defendeu a ampliação das fontes de financiamento, com foco para além da habitação de interesse social.
Na exposição, Mendes destacou que o setor segue em crescimento, mas indicou a necessidade de garantir continuidade de lançamentos e de manter atenção à classe média. A preocupação, segundo os dados mencionados, é que aproximadamente 65% da produção atual está concentrada no programa Minha Casa, Minha Vida, o que torna relevante diversificar o financiamento para sustentar diferentes faixas de demanda.
Proposta de redução da jornada: impactos econômicos e prazos de adaptação
A reunião também abordou a proposta de redução da jornada de trabalho e os possíveis reflexos para empresas do setor. Ely Wertheim observou que a medida tende a elevar custos e que a adaptação pode ocorrer em um prazo considerado curto, por meio de acordos coletivos.
Já Luis Henrique Cidade, responsável pelas Relações Institucionais e Governamentais da CBIC, indicou que o debate segue em andamento no Congresso Nacional. Ele mencionou que há sinais de reação no Senado e afirmou que os efeitos não se restringem ao ambiente empresarial, podendo atingir também a vida do cidadão. Conforme a avaliação colocada no encontro, enquanto a discussão permanece em curso, o tema pode ter capacidade de influenciar decisões de investimento, dependendo do desenho final da proposta.
Ambiente regulatório, burocracia e contratos de correção de valores
Além das pautas centrais, os participantes discutiram questões ligadas ao ambiente regulatório e à burocracia que afeta a produção habitacional. A programação incluiu uma apresentação sobre trâmites relacionados aos contratos de correção de valores, apresentada por Olivar Vitale, membro dos Conselhos Jurídicos do SindusCon-SP e do Secovi-SP.
O conjunto das discussões reforçou a percepção de que o setor imobiliário enfrenta um cenário com múltiplas frentes de impacto, envolvendo regras tributárias, condições de financiamento, dinâmica de trabalho e mecanismos contratuais que interferem na execução e no planejamento de projetos.
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