Short stay cresce no mercado imobiliário e muda a estratégia dos investidores
O avanço do short stay no Brasil tem ganhado força e começado a redesenhar expectativas dentro do mercado imobiliário, em especial nas cidades que concentram fluxo corporativo, turístico e universitário. Em Curitiba, esse movimento já aparece como uma nova forma de olhar a rentabilidade de apartamentos, conectando a oferta habitacional a uma lógica mais próxima da hospitalidade, com maior flexibilidade e um consumo cada vez mais orientado por conveniência.
Um levantamento da ALLSTAYS — empresa especializada em gestão de imóveis para locação por temporada, com atuação em parceria com o TBG Studios e a Cibraco — aponta desempenho acima da média em Curitiba para apartamentos administrados pela plataforma. De acordo com os dados apresentados, os imóveis geridos registraram taxa média de ocupação de 74%, enquanto a média geral da cidade ficou em 63%.
Nos valores praticados, o estudo também indica diferença. A diária média nos imóveis administrados alcançou R$ 190, acima da média de R$ 173 observada no mercado local. A combinação entre ocupação e preço se reflete em métricas de rentabilidade operacional consideradas relevantes no segmento de hospitalidade.
Entre elas está o Net RevPAR, apontado como um indicador ligado à geração de receita. Na comparação, os imóveis geridos pela ALLSTAYS apresentaram média de R$ 118, contra R$ 107 do mercado curitibano. O levantamento ainda destaca receita líquida média de aluguel de R$ 3.234 mensais por unidade, acima da média local de R$ 2.900.
Comportamento do hóspede muda e amplia previsibilidade
Além dos números de desempenho, a pesquisa menciona mudanças no perfil do consumidor. A janela média entre reserva e check-in nos imóveis administrados pela ALLSTAYS chegou a 20 dias, enquanto a média registrada em Curitiba foi de 10 dias. Na prática, esse intervalo tende a indicar uma demanda mais planejada e, consequentemente, maior previsibilidade para a operação.
O estudo também aponta que a duração média das estadias foi superior à média da cidade. Foram quatro dias por reserva nos imóveis administrados, contra três dias no mercado geral. O número de reservas mensais, por sua vez, ficou em cinco por unidade administrada, diante da média de três em Curitiba.
Na avaliação do setor, essas características ajudam a explicar por que o short stay deixa de depender exclusivamente do turismo e passa a se consolidar como um segmento com impacto sobre a forma como investidores avaliam imóveis. Diana Axelrud, diretora de marketing da Cibraco, afirma que cresce a busca por imóveis flexíveis, funcionais e bem localizados em cidades com forte circulação urbana e corporativa.
Estratégia, tecnologia e operação profissional
Para especialistas do mercado imobiliário, o crescimento do short stay se relaciona a uma mudança mais ampla no modo como pessoas utilizam e pensam a moradia temporária. Viagens a trabalho, rotinas com elementos de trabalho híbrido, tratamentos médicos, deslocamentos de estudantes, além de situações de mudança residencial, passam a impulsionar a procura por unidades mobiliadas e com experiência mais alinhada ao modelo de hospedagem.
Nesse cenário, a tomada de decisão de incorporadoras e investidores tende a incluir não apenas o potencial de valorização patrimonial, mas também a performance operacional do ativo. A Cibraco cita que projetos compactos, como studios, e imóveis posicionados em regiões com infraestrutura e proximidade de polos econômicos e hospitalares passaram a receber atenção maior.
Outro aspecto destacado é a profissionalização da operação. O levantamento menciona que itens como fotografia profissional, automação operacional, gestão de reservas, limpeza profissional, suporte ao hóspede e transparência financeira fazem parte de um padrão que busca melhorar tanto a experiência do cliente quanto o desempenho do imóvel.
Curitiba como cenário para o modelo
Dentro do contexto local, Curitiba é apontada como uma cidade com condições favoráveis ao avanço do segmento. Entre os fatores mencionados estão o turismo corporativo, o calendário de eventos, a presença de universidades, o polo de saúde consolidado e a expansão de bairros com perfil de usos mistos.
Também é apresentada a visão de que o short stay aproxima áreas como real estate, tecnologia e hospitalidade, formando um ecossistema em que gestão e execução operacional passam a ter peso direto sobre resultados.
Exemplo no centro: TBG Studios
No Centro de Curitiba, o TBG Studios é citado como parte desse contexto. Trata-se de um edifício retrofitado que reúne 56 studios com áreas de 19m² e 32m², além de quatro lojas comerciais no térreo e dois conjuntos comerciais na sobreloja. A estrutura oferece áreas de uso compartilhado, incluindo coworking, academia, espaço gourmet com terraço e rooftop.
O empreendimento também é associado a um reforço de atratividade da região com a inauguração do Cine Lido, nova casa de espetáculos no centro da cidade. O local ocupa a antiga sede de um cinema de rua e tem shows já confirmados para agosto, incluindo apresentações de Caetano Veloso e Marisa Monte.
O movimento do short stay também aparece na história de um investidor que adquiriu uma das unidades do TBG Studios. Segundo o relato, Haxel Heloin Santos da Costa, que foi gerente geral do Hotel Tibagi — onde hoje funciona o TBG Studios — finalizou a arquitetura de interiores voltada ao início da hospedagem. Ele afirma que o mercado de turismo na cidade vem crescendo e que a escolha por uma unidade no centro se conecta à demanda por hospedagens modernas e bem localizadas.
Sobre a Cibraco
A Cibraco Imóveis é descrita como uma imobiliária com atuação no Paraná voltada à venda, locação e administração de imóveis, com mais de 80 anos de experiência nos segmentos comercial, residencial e corporativo. A empresa também menciona ter sido pioneira na criação da Rede Imóveis, organização que reúne 12 imobiliárias em modelo de parceria, e aponta que busca atualizar o mercado imobiliário com novas formas de investir e obter resultados.
Entre os profissionais mencionados, estão Sidney Axelrud — com atuação quase de 50 anos no mercado imobiliário e participação na fundação de entidades como a Secovi e a Rede Imóveis — e Diana Axelrud, citada como jornalista e sócia fundadora da CINCO, incubadora voltada a startups para o imobiliário.
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